
A crescente insatisfação dentro do governo Lula 3 em relação ao comportamento da primeira-dama, Janja da Silva, tornou-se evidente após um episódio constrangedor ocorrido durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.
Durante uma reunião de alto nível entre Lula e o presidente chinês Xi Jinping - restrita a chefes de Estado e ministros -, Janja teria interpelado o mandatário chinês sobre o algoritmo do TikTok, sugerindo que a plataforma favorece conteúdos de direita no Brasil. A fala, considerada inoportuna e fora de protocolo, causou desconforto tanto no lado chinês quanto entre os auxiliares de Lula.
A situação se agravou pelo fato de Janja não ter papel institucional no governo que a habilite a participar de discussões de Estado. O episódio foi classificado como “vexatório” e gerou desconforto diplomático.
Ao invés de conter os arroubos da primeira-dama, Lula reagiu com irritação ao vazamento do episódio, defendendo Janja e determinando uma "caça às bruxas" para descobrir o responsável pela divulgação da informação.
Segundo relatos, o presidente chegou a considerar a situação como traição interna, insinuando que o vazamento partiu de membros do governo ou do Congresso. A tensão aumentou nos bastidores com trocas de acusações entre integrantes da equipe presidencial.
A crise foi agravada por disputas internas. A ala ligada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugere que o "vazador" seria o ministro da Casa Civil, Rui Costa - adversário político dentro do núcleo duro do governo. Há também menções ao envolvimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como possível responsável indireto por alimentar a crise.
A fala de Janja reforça temores sobre tentativas do governo Lula de controlar ou censurar as redes sociais, com base em critérios ideológicos. A crítica feita ao TikTok, uma das plataformas mais populares entre os jovens brasileiros, reacende o debate sobre liberdade de expressão, controle de algoritmos e censura estatal.
O governo, no entanto, não negou a conversa com Xi Jinping sobre o tema, apenas lamentou o vazamento. Lula confirmou que solicitou o envio de um emissário chinês para discutir o comportamento da plataforma no Brasil.
A atuação de Janja fora do papel institucional de primeira-dama e o respaldo dado por Lula às suas interferências têm causado ruídos políticos, desgastes internos e até constrangimentos diplomáticos. O episódio reforça divisões dentro do próprio governo e acende alertas sobre a postura do Planalto em relação à liberdade nas redes sociais.
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