
A expressão “República das Bananas” nasceu como crítica a países frágeis politicamente, subordinados a interesses estrangeiros e marcados por corrupção e instabilidade. Ironicamente, o Brasil, que tenta se distanciar dessa caricatura, segue fiel ao nome quando se trata da bananicultura real.
Somos o quarto maior produtor de banana do mundo, com um consumo interno altíssimo - cada brasileiro come, em média, 25 quilos por ano. E ainda assim, exportamos apenas 1% da nossa produção. A pergunta é: por quê?
O principal entrave está no transporte e na logística ineficiente. A banana é altamente perecível. Para chegar a mercados como a Europa ou o Oriente Médio com qualidade, é preciso rapidez, refrigeração e rotas diretas. Mas:
Um navio saindo de Santos (SP) leva até oito dias só para chegar ao Porto do Pecém (CE), onde deveria ter embarcado desde o início.
Enquanto isso, países da América Central e do Sul, como o Equador, já colocaram sua banana em prateleiras estrangeiras - fresca e barata.
A infraestrutura brasileira atrasa, encarece e danifica o produto. Até 60% da produção pode ser perdida, segundo especialistas, por conta de machucados e deterioração no transporte.
Outro mito que prejudica o setor é o da “banana barata”. Produzir banana com qualidade exige tecnificação pesada, combate constante a pragas como a Sigatoka Negra e altos custos com irrigação e mão de obra.
Como destacou o produtor Edson Brock, o setor é profissional, caro e altamente vulnerável a perdas, especialmente se o destino for o exterior.
Exportar pouco significa:
Menos divisas para o país.
Desperdício de excedente produtivo.
Dependência extrema do mercado interno.
Falta de presença internacional da bananicultura brasileira.
Enquanto isso, países com território muito menor faturam alto vendendo banana brasileira... só que cultivada lá.
Para virar o jogo e transformar o Brasil num exportador relevante de banana, algumas ações são urgentes:
Investimento em logística refrigerada e multimodal (porto-ferrovia-rodovia).
Estímulo fiscal à exportação de frutas perecíveis.
Centros de distribuição próximos a portos estratégicos como Pecém (CE).
Campanhas internacionais para valorização da banana brasileira.
Parcerias público-privadas para transporte especializado.
Se o Brasil aumentasse sua fatia no mercado global de bananas:
A balança comercial agrícola seria positivamente impactada.
Regiões produtoras ganhariam mais empregos e renda.
Haveria redução de perdas e melhor aproveitamento da produção nacional.
O Brasil precisa deixar de ser uma potência do desperdício para se tornar uma potência de exportação agrícola. Temos clima, terra, conhecimento e produção. O que falta é visão estratégica, investimento logístico e vontade política.
Está mais do que na hora de dar à banana o valor que ela tem - e parar de deixar dinheiro escorregar pela casca.
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