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Agro REPUBLICA DE BANANAS

O Brasil produz banana como gigante, mas exporta como anão

Mesmo sendo um dos maiores produtores globais, o país exporta apenas 1% de sua banana — um retrato de ineficiência logística, desperdício e ausência de visão estratégica

12/05/2025 às 06h10
Por: Douglas Ferreira
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O Brasil mesmo sendo o 4º produtor de banana do mundo só exporta 1% do que produz - Foto: Reprodução
O Brasil mesmo sendo o 4º produtor de banana do mundo só exporta 1% do que produz - Foto: Reprodução

Uma república das bananas - no sentido literal

A expressão “República das Bananas” nasceu como crítica a países frágeis politicamente, subordinados a interesses estrangeiros e marcados por corrupção e instabilidade. Ironicamente, o Brasil, que tenta se distanciar dessa caricatura, segue fiel ao nome quando se trata da bananicultura real.

Somos o quarto maior produtor de banana do mundo, com um consumo interno altíssimo - cada brasileiro come, em média, 25 quilos por ano. E ainda assim, exportamos apenas 1% da nossa produção. A pergunta é: por quê?

Logística: o gargalo que estrangula a exportação

O principal entrave está no transporte e na logística ineficiente. A banana é altamente perecível. Para chegar a mercados como a Europa ou o Oriente Médio com qualidade, é preciso rapidez, refrigeração e rotas diretas. Mas:

  • Um navio saindo de Santos (SP) leva até oito dias só para chegar ao Porto do Pecém (CE), onde deveria ter embarcado desde o início.

  • Enquanto isso, países da América Central e do Sul, como o Equador, já colocaram sua banana em prateleiras estrangeiras - fresca e barata.

A infraestrutura brasileira atrasa, encarece e danifica o produto. Até 60% da produção pode ser perdida, segundo especialistas, por conta de machucados e deterioração no transporte.

Tecnologia e custo: produzir banana Não é “preço de banana”

Outro mito que prejudica o setor é o da “banana barata”. Produzir banana com qualidade exige tecnificação pesada, combate constante a pragas como a Sigatoka Negra e altos custos com irrigação e mão de obra.

Como destacou o produtor Edson Brock, o setor é profissional, caro e altamente vulnerável a perdas, especialmente se o destino for o exterior.

Impactos da baixa exportação

Exportar pouco significa:

  • Menos divisas para o país.

  • Desperdício de excedente produtivo.

  • Dependência extrema do mercado interno.

  • Falta de presença internacional da bananicultura brasileira.

Enquanto isso, países com território muito menor faturam alto vendendo banana brasileira... só que cultivada lá.

O que mudar?

Para virar o jogo e transformar o Brasil num exportador relevante de banana, algumas ações são urgentes:

  1. Investimento em logística refrigerada e multimodal (porto-ferrovia-rodovia).

  2. Estímulo fiscal à exportação de frutas perecíveis.

  3. Centros de distribuição próximos a portos estratégicos como Pecém (CE).

  4. Campanhas internacionais para valorização da banana brasileira.

  5. Parcerias público-privadas para transporte especializado.

Reflexos de uma exportação forte

Se o Brasil aumentasse sua fatia no mercado global de bananas:

  • A balança comercial agrícola seria positivamente impactada.

  • Regiões produtoras ganhariam mais empregos e renda.

  • Haveria redução de perdas e melhor aproveitamento da produção nacional.

Conclusão: de “república das bananas” a potência frutícola?

O Brasil precisa deixar de ser uma potência do desperdício para se tornar uma potência de exportação agrícola. Temos clima, terra, conhecimento e produção. O que falta é visão estratégica, investimento logístico e vontade política.

Está mais do que na hora de dar à banana o valor que ela tem - e parar de deixar dinheiro escorregar pela casca.

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