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Osmarzinho: o ex-prefeito que deixou a Prefeitura, mas manteve a família no centro do poder político de Cocal dos Alves

Irmão do deputado estadual Rubens Vieira e tio do atual prefeito, Osmar Vieira construiu uma trajetória política que ultrapassou os oito anos em que esteve à frente da Prefeitura

26/08/2026 às 09h54
Por: Redação GH1
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Osmarzinho: o ex-prefeito que deixou a Prefeitura, mas manteve a família no centro do poder político de Cocal dos Alves

O nome de Osmar de Sousa Vieira, o Osmarzinho, voltou a circular com força nas redes sociais depois que um jingle político produzido há dez anos, durante a campanha eleitoral de 2016, ressurgiu em ritmo de forró e se transformou em fenômeno na internet.

Mas, por trás do personagem que virou meme, existe uma trajetória política que ajuda a explicar sua importância no cenário de Cocal dos Alves, no norte do Piauí.

Osmarzinho tem 57 anos, é comerciante e governou o município por dois mandatos, entre 2017 e 2024. Antes de chegar à Prefeitura, foi vereador de Cocal dos Alves, eleito em 2012. Em 2016, venceu a eleição municipal por uma diferença de apenas 151 votos, obtendo 51,73% dos votos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito com 58,69%.

A trajetória de Osmarzinho, entretanto, não pode ser analisada isoladamente. Ela está diretamente ligada à ascensão política de sua família na região.

O elo com Rubens Vieira

Osmarzinho é irmão do deputado estadual Rubens Vieira, uma das principais lideranças políticas da família Vieira no Piauí. Rubens também construiu sua carreira política na região, tendo sido vereador e prefeito de Cocal antes de chegar à Assembleia Legislativa do Piauí.

A relação entre os dois irmãos ganhou dimensão política especialmente a partir dos anos 2010.

Rubens Vieira consolidou sua influência em Cocal e na região da Planície Litorânea e, posteriormente, Osmarzinho chegou à Prefeitura de Cocal dos Alves. Reportagens sobre a trajetória política do deputado registram justamente essa articulação familiar: Rubens deixou a Prefeitura de Cocal após dois mandatos e ajudou a fortalecer o nome do irmão no município vizinho.

O resultado foi a formação de uma estrutura política que passou a atuar em mais de um município.

De irmão a sucessor: a força da família Vieira

A influência do grupo não terminou com a saída de Osmarzinho da Prefeitura.

Em 2024, Wodson Vieira, sobrinho de Osmarzinho, foi eleito prefeito de Cocal dos Alves pelo PT, com 70,10% dos votos válidos. Ele sucedeu justamente o tio no comando do município.

A configuração política é significativa:

Osmarzinho — ex-prefeito de Cocal dos Alves

Rubens Vieira — irmão de Osmarzinho e deputado estadual

Wodson Vieira — sobrinho de Osmarzinho e atual prefeito de Cocal dos Alves

Assim, embora Osmarzinho tenha deixado o cargo de prefeito em 2024, a família Vieira permaneceu diretamente ligada ao comando político do município.

A presença pública dos três também continuou. Em dezembro de 2025, Rubens Vieira participou de programação em Cocal dos Alves ao lado do prefeito Wodson Vieira e do ex-prefeito Osmar Vieira.

Uma família com presença regional

A influência política de Rubens Vieira também ultrapassa as fronteiras de Cocal dos Alves.

O deputado tem atuação política em municípios da Planície Litorânea e vem construindo uma base regional. Em 2022, quando se preparava para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, já era descrito como uma liderança com força em diversos municípios da região.

Nesse contexto, Osmarzinho representa uma das ramificações dessa estrutura política familiar.

A família conseguiu ocupar espaços diferentes do poder público: Prefeitura, Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, criando uma rede política que atravessa diferentes eleições.

O jingle que ressuscitou uma velha disputa

É nesse cenário que o famoso jingle ganha outro significado.

A música não nasceu agora. Ela foi produzida durante a eleição de 2016, quando Osmarzinho disputava a Prefeitura contra Ivan, do PDT. A oposição utilizava carros de som para espalhar a composição pelas ruas de Cocal dos Alves.

O jingle fazia uma série de acusações contra Osmarzinho e familiares. As afirmações presentes na música, porém, não devem ser tratadas como fatos comprovados apenas por estarem na letra. O próprio grupo político de Osmarzinho classificou as acusações como falsas e caluniosas.

Dez anos depois, a gravação voltou a circular nas redes sociais e chegou à Justiça. Uma decisão da 4ª Vara Cível de Teresina determinou que plataformas digitais retirassem conteúdos que reproduzissem o jingle, em razão das acusações feitas contra o ex-prefeito.

A repercussão transformou uma antiga peça de propaganda eleitoral municipal em um fenômeno digital.

O poder que permanece depois do mandato

O caso de Osmarzinho chama atenção não apenas pela viralização da música, mas pela capacidade de uma família permanecer politicamente relevante mesmo depois da saída de um de seus integrantes do Executivo.

Osmarzinho governou Cocal dos Alves por oito anos. Ao deixar o cargo, o comando municipal passou para seu sobrinho. Paralelamente, seu irmão, Rubens Vieira, permanece como deputado estadual e como uma liderança política com atuação regional.

É uma configuração que ajuda a explicar por que o nome de Osmarzinho continua tendo peso político mesmo fora de uma disputa eleitoral.

O personagem que hoje aparece nos memes, portanto, é apenas uma parte da história.

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