
A tão esperada “mudança” no Ministério da Previdência chegou. Mas veio com gosto de farsa. Carlos Lupi caiu, é verdade, em meio a um escândalo de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Mas o substituto escolhido por Lula foi ninguém menos que Wolney Queiroz - o número dois de Lupi, seu braço-direito, homem de confiança e, acima de tudo, cúmplice silencioso da gestão que agora desmorona sob suspeitas.
Na prática, Lula trocou seis por meia dúzia. Uma renúncia encenada, coreografada para conter a pressão política, mas que deixa o sistema exatamente como estava. O novo ministro, secretário-executivo durante todo o mandato de Lupi, era figura onipresente na engrenagem do ministério. Sabia ou deveria saber de tudo. E se não sabia, é incompetente. Se sabia, compactuou. Não há saída honrosa nesse dilema.
A sombra de Lupi ainda paira
Wolney assume com a missão de “combater fraudes” no INSS - ironia cruel para quem ocupava cargo-chave durante o período em que as fraudes floresceram. A pergunta que se impõe é simples: como confiar em alguém que fazia parte do comando que deixou o caos se instalar? A impressão é que Lupi deixou o ministério, mas continua dentro dele. Saiu da cadeira, mas não da influência. Tornou-se, agora, uma eminência parda, operando por trás da sombra da própria crise.
Uma troca que não limpa a ficha
Se Lula quisesse mesmo dar um sinal de ruptura, escolheria um nome fora da engrenagem. Um técnico. .Um nome respeitável, que impusesse autoridade ética e reconstruísse a confiança de mais de 22 mil servidores e de milhões de brasileiros lesados por esquemas clandestinos. Mas não. Preferiu manter a “família política” de Lupi unida e intacta. Manteve o apadrinhamento, o loteamento, a blindagem. O resultado? A imagem de que o governo teme a verdade - e protege quem está por trás dela.
A fila cresce, a confiança encolhe
Enquanto isso, a fila do INSS só aumenta. São mais de 2 milhões de brasileiros esperando benefícios - muitos deles em situações de urgência. Lula prometeu acabar com a fila na campanha de 2022. Mas ela não só não acabou como bateu recordes sob Lupi. E sob Wolney. A dupla não conseguiu impedir a tragédia administrativa, tampouco reagiu aos primeiros sinais de desvio. Agora, um deles assume o comando com a promessa de consertar o que ajudou a destruir. Difícil levar a sério.
Sem faxina, sem moral
Essa transição é emblemática de um governo que não quer - ou não consegue - fazer faxina. Lula preferiu manter a contaminação e fingir que mudou. Mas o vírus continua no sistema. A escolha de Wolney não apenas mancha o discurso do governo como sinaliza que o escândalo da Previdência não foi tratado como crise institucional, mas como problema de imagem a ser maquiado.
E se é assim que o Planalto reage diante do maior escândalo envolvendo aposentados no atual mandato, o que esperar das próximas crises?
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