
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, decidiu deixar o governo Lula em meio à crise provocada pelas denúncias de descontos ilegais em aposentadorias e pensões, reveladas por investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal. A operação batizada de Sem Desconto levou à exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e agravou o desgaste dentro da pasta.
Um dos principais fatores que motivaram a saída de Lupi foi a nomeação de Gilberto Waller Júnior para o comando do INSS sem que ele fosse consultado previamente pelo presidente Lula. A decisão, vista como um gesto de desconfiança, minou ainda mais a relação entre o ministro e o Planalto. Internamente, a sensação era de fritura pública, já que nenhuma autoridade do governo saiu em defesa de Lupi, mesmo sem haver qualquer indício, até o momento, de seu envolvimento direto no esquema.
Além do isolamento político, Lula demonstrou insatisfação com a resposta considerada lenta e leniente tanto do Ministério da Previdência quanto do INSS diante dos alertas da CGU. O presidente esperava uma atuação mais firme e preventiva diante dos indícios de fraudes em massa contra beneficiários da Previdência Social.
Com a saída de Lupi, o PDT deve reavaliar sua permanência na base governista. O partido, que atualmente conta com 17 deputados, já sinalizou ao Planalto o desejo de manter o comando da pasta e indicou dois nomes: o do ex-deputado Wolney Queiroz, atual secretário-executivo, e Guilherme Campelo, diretor da Superintendência de Previdência Complementar. Uma decisão final deve ser tomada na próxima semana, em reunião da bancada pedetista na Câmara.
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