Segunda, 13 de Julho de 2026
30°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Política CARTA NA MANGA

Lupi afunda com escândalo no INSS e PDT já articula plano B com Wolney Queiroz

Com a maior fraude do governo Lula 3 corroendo o núcleo do INSS, pressão cresce por saída de Carlos Lupi; ex-deputado e atual nº 2 da pasta é visto como substituto discreto para preservar o espaço do PDT e conter o desgaste político

02/05/2025 às 06h00 Atualizada em 02/05/2025 às 08h31
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Ex-deputado Wolney queiros é a carta na manga do PDT para substituir Carlos Lupi na Previdência e manter o partido no poder - Foto: Reprodução
Ex-deputado Wolney queiros é a carta na manga do PDT para substituir Carlos Lupi na Previdência e manter o partido no poder - Foto: Reprodução

Nos bastidores do Planalto e do Congresso, a percepção é unânime: o ministro Carlos Lupi está politicamente esgotado, demissionário. Presidente licenciado do PDT e atual titular do Ministério da Previdência Social, Lupi se tornou um peso morto no governo Lula após a revelação do escândalo bilionário que assolou o INSS - o maior esquema de corrupção do atual mandato.

A Polícia Federal aponta um rombo de pelo menos R$ 6,3 bilhões (mas que acredita-se ser maior) causado por descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A engrenagem da fraude envolveu servidores, empresas privadas e núcleos internos da Previdência, com ramificações em todo o país. O que mais choca é o alvo da roubalheira: os aposentados, pensionistas, indígenas, deficientes físicos - justamente a base popular mais fiel ao presidente Lula, concentrada sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Essa equação é letal: o escândalo corrompe o que restava da popularidade do governo, atinge diretamente o coração simbólico do lulismo e abala a credibilidade da máquina pública que Lula prometeu reconstruir.

O ministro contaminado

Carlos Lupi, que já era alvo de críticas internas por seu estilo errático e pouco técnico de gestão, agora é acusado de ter “fechado os olhos” - ou pior, ter permitido - a instalação de um consórcio corrupto dentro do INSS. Sua permanência no cargo passou a ser insustentável, mesmo para aliados próximos. A avaliação interna no PT é de que Lupi não tem mais condições políticas de continuar à frente da pasta. O problema é que ele não quer sair, e Lula não quer demiti-lo.

O impasse se sustenta em dois pilares frágeis:

  1. Lupi é o dono do PDT, partido com 17 deputados que Lula precisa no Congresso para manter maioria em votações sensíveis;

  2. Uma demissão forçada poderia rachar de vez a aliança com o partido e comprometer alianças para 2026.

O plano B: Wolney Queiroz

Para escapar da sangria e manter o Ministério da Previdência sob controle do PDT, surgiu o nome de Wolney Queiroz, ex-deputado federal por Pernambuco e atual secretário-executivo da pasta. Homem de confiança de Lupi e filiado ao PDT há 30 anos, Wolney é tratado como solução caseira e transitória, capaz de acalmar a crise, blindar o governo e preservar o espaço do partido.

Wolney não foi eleito em 2022, mas já exerce poder dentro do ministério. Com seis mandatos na Câmara e trânsito fácil entre parlamentares, ele também é visto como mais hábil na articulação política e menos propenso a gafes públicas que desgastem ainda mais o governo. Seu nome circula com intensidade em conversas internas do PT, do PDT e do Palácio do Planalto.

A ideia seria simples: Lupi sairia "por vontade própria", Wolney assumiria interinamente ou em definitivo, e o governo manteria o equilíbrio com o PDT sem queimar pontes - nem escancarar a confissão de culpa.

Lula trocaria o nome, mas manteria o DNA?

Apesar da operação política, a troca por Wolney não significaria rompimento com a atual gestão do ministério. Seria uma substituição simbólica: tira-se o rosto, mantém-se o comando real. Lupi, mesmo fora do cargo, continuaria influente e presente, especialmente na gestão partidária das emendas, cargos e decisões administrativas.

Isso levanta uma questão incômoda: o problema é só Lupi ou o sistema construído sob ele? Mudar o ministro sem reformar as estruturas contaminadas pode soar como tentativa de abafar o escândalo, e não de resolvê-lo. A narrativa oficial precisará ser cuidadosa, e o governo, se quiser conter o estrago, terá de mostrar que aprendeu com o desastre.

Um escândalo com DNA político

Mais do que um caso policial, o escândalo do INSS assume contornos político-eleitorais. Ele mina a confiança de quem mais confiava em Lula. O eleitor pobre, idoso, dependente do auxílio estatal  - e que acreditou na promessa de “reconstrução do Brasil” - agora se vê vítima direta do assalto institucionalizado.

E para Lula, o risco é claro: se não agir rápido, o caso Lupi pode se transformar no Mensalão da Previdência, um símbolo de traição aos princípios que o trouxeram de volta ao poder. O tempo político está correndo, e o silêncio pode custar mais caro que a demissão.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários