
Em um mundo que cada vez mais se apoia no conhecimento e na informação como pilares do desenvolvimento, a ausência e o abandono das bibliotecas no estado do Piauí se tornam um triste retrato de um problema mais profundo: o descaso com a educação e com o futuro de nossa sociedade.
O retrato de um estado com uma das maiores taxas de analfabetismo do Brasil, com 14.8% da população que ainda se encontra analfabeta, a ausência de incentivos à leitura e o descaso com as bibliotecas públicas nos municípios do Piauí só atestam o desinteresse em mudar esse cenário.
As bibliotecas públicas, que deveriam ser espaços vivos de cultura, pesquisa e democratização do saber estão escassas no Piauí, muitos municípios tem bibliotecas registradas no site do mapa da cultura do governo federal que sequer existem, outras estão em locais completamente abandonados, com acervos ultrapassados, estruturas precárias e portas fechadas para a população. Como esperar um salto de desenvolvimento em um estado onde o livro, símbolo da sabedoria, perde seu espaço e importância?
Enquanto outros estados investem em bibliotecas digitais, espaços interativos de leitura e programas de incentivo à leitura, o Piauí ainda luta para manter de pé prédios que já não recebem sequer manutenção básica. Pior que a falta de bibliotecas novas é ver as antigas morrerem aos poucos, ignoradas por sucessivas administrações.
A falta de bibliotecas é também a falta de oportunidade. O jovem que não tem acesso fácil aos livros cresce limitado em suas possibilidades. A criança que nunca frequentou uma biblioteca dificilmente desenvolverá a paixão pela leitura. A comunidade que não tem onde buscar informação de qualidade fica refém da ignorância e da informação que só é obtida por meio de um celular.
Mas ainda há tempo de reverter essa realidade. O renascimento das bibliotecas não depende apenas do governo, embora o poder público tenha uma responsabilidade inegociável. Depende também da sociedade civil, das escolas, das famílias e dos cidadãos que entendem que livros e leitura não são luxos, mas sim necessidades tão básicas quanto saúde e segurança.
Valorizar as bibliotecas é valorizar o conhecimento, e valorizar o conhecimento é garantir que o Piauí tenha um futuro melhor do que o presente que hoje lamentamos
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