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Porto Piauí - a fatura da ilusão

Como a megalomania política custa o futuro do Piauí

26/07/2026 às 09h24
Por: Arthur Feitosa
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Imagem gerada por inteligência artificial
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​Existe uma máxima vil na política, para toda promessa irreal, existe uma desculpa perfeita engavetada. À medida que o período eleitoral se aproxima, a máquina pública do Piauí deixa de servir ao cidadão para se converter em um caro teatro de ilusões. Obras de proporções faraônicas, empréstimos bilionários e discursos triunfantes tomam conta da cena, enquanto o eleitor é seduzido pelo espetáculo. Contudo, a pergunta incômoda precisa ser feita, o que acontece no dia seguinte à eleição, quando as luzes dos palanques se apagam e a conta chega para quem produz?

​A história econômica global ensina uma lição implacável, a prosperidade de um Estado não se constrói com publicidade inflamada, mas com responsabilidade fiscal, transparência e gestão técnica implacável. Quando o governo se transforma em refém da vaidade, guiado pela ânsia do culto à personalidade e pela ambição eleitoral desmedida, o resultado inevitável é a ressaca das finanças públicas, o endividamento sufocante e a perpétua manutenção do subdesenvolvimento.

​O Porto de Luís Correia: Do Sonho de Grandeza ao Palco do Marketing

​Nenhum piauiense com o mínimo de juízo nega a urgência do Porto Marítimo de Luís Correia. Ele é o ativo estratégico mais importante do Estado, indispensável para conectar o Piauí ao comércio internacional, escoar a riqueza dos nossos grãos e transformar a infraestrutura local. A crítica madura não se opõe ao desenvolvimento, ela exige que o desenvolvimento seja real, palpável e funcional, e não apenas um cenário fotográfico para propaganda na televisão.

​O que se testemunha em Luís Correia é o atropelo inconsequente de etapas técnicas para coincidir com o calendário das urnas. A contratação obscura de embarcações fundeadas a milhas da costa, mantidas a custos altíssimos sem a devida transparência, escancara um desvio de finalidade indecente. Uma obra pública dessa dimensão deveria funcionar como motor econômico duradouro, não como mero plano de fundo para vídeos promocionais de redes sociais.

​Existe uma verdade elementar na engenharia de transportes que a política finge ignorar, nenhum porto marítimo do mundo funciona sem uma malha ferroviária robusta. Tentar operar um terminal desse porte dependendo exclusivamente do transporte rodoviário para escoar commodities e mercadorias é uma insanidade econômica. O custo do frete por caminhões inviabiliza completamente a operação comercial e, para piorar, o tráfego pesado de carretas destrói sem trégua a única rodovia de acesso ao nosso litoral, transformando o asfalto público em um rastro de buracos, prejuízo e acidentes.

​Em vez de gastar energia e recursos públicos produzindo vídeos de propaganda que tentam vender uma realidade paralela, os gestores deveriam focar naquilo que é técnico e urgente, a reativação e modernização do ramal da linha férrea entre Teresina e Luís Correia. Sem esse trilho conectando o interior ao mar, qualquer anúncio de porto operacional não passa de encenação cara.

​Quando o custo logístico de uma operação maquiada é empurrado para a sociedade sem prestação de contas, estabelece-se um abuso velado de poder. Cada centavo desperdiçado nessa engrenagem de marketing é drenado diretamente do bolso do contribuinte, daquele trabalhador que paga impostos caríssimos sobre o consumo diário e continua esperando, em vão, por um atendimento digno na saúde, segurança nas ruas e educação de qualidade para os seus filhos.

​O Custo da Incompetência e a Vergonha da Comparação Regional

​Gerir um Estado sufocado por gargalos históricos exige muito mais do que ambição política, frases de efeito e uma tecnocracia distante da realidade dos municípios. Exige traquejo, pulso firme, experiência comprovada e, sobretudo, a capacidade de dizer a verdade. O loteamento descarado da máquina pública por apadrinhados políticos sem qualquer qualificação cria a falsa e perigosa ilusão de que os cofres públicos são um poço sem fundo.

​O único indicador real da eficiência de uma gestão é o resultado prático na vida das famílias. Quando olhamos para o Maranhão e para o Ceará, vizinhos geográficos que enfrentam as mesmas adversidades climáticas e sociais, a comparação se torna constrangedora. Nossos vizinhos avançam a passos largos na atração de grandes indústrias, na modernização dos seus portos e na melhoria contínua dos índices sociais, enquanto o Piauí patina em promessas requentadas.

Por que o Piauí continua preso ao compasso de espera enquanto o restante do Nordeste avança? A resposta não está em uma suposta falta de potencial da nossa terra ou na capacidade do nosso povo, mas no abismo ético que separa quem governa para as próximas gerações de quem governa apenas para a próxima eleição.

​O Preço da Ilusão e o Dever de Reação do Eleitor

​O grande perigo da megalomania administrativa é que as justificativas para o fracasso já nascem prontas. Quando a fatura dos empréstimos astronômicos vencer e o endividamento sufocar o Tesouro estadual, os discursos ufanistas mudarão de tom da noite para o dia. A conta, como sempre acontece na política tradicional, será cobrada com juros através do corte de investimentos e do sucateamento dos serviços essenciais direcionados justamente à população mais vulnerável.

​A estagnação do Piauí não é uma fatalidade, é uma escolha política. Para romper esse ciclo perverso de promessas não cumpridas, o eleitorado precisa abandonar a passividade e assumir uma postura fiscalizadora, intolerante e incisiva. ​Desconfie do Marketing. Não se deixe enganar pela estética das peças publicitárias nas redes sociais. Questione o custo real de cada km de asfalto, exija prazos concretos e analise a viabilidade técnica de cada projeto anunciado.

​Exija Logística de Verdade. Cobre soluções reais de infraestrutura, como o transporte ferroviário de carga, em vez de paliativos rodoviários que destroem nossas estradas e encarecem a produção.

​Exija Competência Comprovada. Avalie se aqueles que ocupam cargos estratégicos possuem histórico real de gestão eficiente ou se estão ali apenas para cumprir cotas de acordos partidários.

​Recuse o Coitadismo: Compare o Piauí com os Estados que estão dando certo. Cobre do governo o mesmo nível de maturidade, atração de investimentos e entregas reais que já são realidade ao nosso redor.

​A transformação que o Piauí precisa desesperadamente não virá da mão de salvadores da pátria, nem de maquetes 3D ou projetos faraônicos sem pé nem cabeça. Ela nascerá no momento em que um eleitorado consciente e indignado decidir que a ilusão custa caro demais e recusar definitivamente aceitar a propaganda como substituto para o desenvolvimento.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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