
Não importa onde começou. Importa onde deveria ter parado. E não parou. O escândalo bilionário que sangrou o bolso de mais de 6 milhões de aposentados brasileiros, segundo a Controladoria Geral da União - CGU, - velhinhos que dependem de cada centavo do benefício para comprar remédio e comida - teve 64% de sua execução justamente nos dois primeiros anos do terceiro governo Lula. Dizer que a fraude foi “iniciada” sob Jair Bolsonaro não é defesa: é agravante. Porque o que se espera de qualquer governo sério, ao tomar posse e identificar um esquema criminoso em andamento, é que o combata. Não que o alimente.
Mas foi exatamente isso que aconteceu.
Segundo a CGU, entre 2019 e 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) repassou R$ 6,5 bilhões a sindicatos e entidades associativas - valores descontados diretamente da aposentadoria de beneficiários, sem a autorização da esmagadora maioria deles. Desse total, R$ 4,1 bilhões foram repassados em 2023 e 2024, já sob a batuta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais precisamente, sob o guarda-chuva ideológico que transforma sindicatos em “parceiros do povo” - mesmo quando estão, de forma criminosa, assaltando esse povo.
A CGU entrevistou 1,2 mil aposentados e pensionistas. Resultado: 97,6% disseram que nunca autorizaram desconto algum. Pior: 96% sequer tinham qualquer vínculo com as entidades que embolsaram o dinheiro. Um roubo de proporções industriais, institucionalizado pelo sistema e anabolizado pela inércia - ou cumplicidade - do governo atual.
Em 2022, o valor desses descontos foi de R$ 706 milhões. Já em 2024, o salto para R$ 2,8 bilhões estourou todos os sinais de alerta. Um aumento inexplicável, exceto pela hipótese cada vez mais nítida de que se tratava de uma engrenagem bem montada de desvio de dinheiro público - ou melhor, de dinheiro de velhinhos pobres e doentes.
Mas o que fez o governo Lula ao perceber essa aberração? Esperou. Silenciou. E só reagiu quando a Polícia Federal bateu à porta. Na última quinta-feira (23), foi deflagrada a “Operação Sem Desconto”, que investiga um esquema com potencial de desvio superior a R$ 6,3 bilhões. Como efeito imediato, seis pessoas foram afastadas - inclusive o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, exonerado por Lula. Mas até agora, nem uma palavra de autocrítica. Lula e o governo estão "pianinho".
É sintomático que os militantes de esquerda, diante do maior escândalo do INSS desde sua criação, reajam com desculpas e tergiversações. “Ah, mas começou no governo passado”. A pergunta que se impõe é: e por que não foi estancado no atual? O que impediu Lula e seus ministros de expor o esquema, responsabilizar os autores e proteger os aposentados? Por que, em vez de barrar a fraude, o sistema parece ter dado continuidade à farra? Por que escalou a sangria?
A resposta está no apego ideológico a estruturas que, mesmo corroídas, continuam sendo tratadas como intocáveis. Sindicatos, entidades de fachada, associações sem representatividade - todos com acesso direto ao contracheque do aposentado. Um modelo de arrecadação automática que funciona como mensalidade compulsória, descontada sem consentimento, sustentando uma rede política que se apresenta como “defensora dos trabalhadores”.
A verdade nua e crua é que a esquerda governista falhou - e feio. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguiram vendo seus contracheques corroídos por contribuições indevidas. O dinheiro foi parar sabe-se lá onde, e o governo que prometia “cuidar das pessoas” apenas assistiu e colaborou. A omissão, nesse caso, tem nome, sobrenome e consequência: foi Lula, foi o PT, e foi um crime contra os mais vulneráveis da sociedade.
O resto é barulho de militância tentando transformar escândalo em narrativa. Mas os fatos não se dobram à ideologia. Eles apenas cobram a conta.
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