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Saúde NEGLIGÊNCIA

Cirurgia para apneia do sono termina em tragédia: jornalista entra em coma, tem membros amputados e perde o nascimento do filho

Um procedimento simples se transformou em um pesadelo com infecção hospitalar, negligência médica e luta por justiça.

12/02/2025 às 14h37
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Terra
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O jornalista Julio César viveu uma verdadeira via sacra até retomar sua vida - Foto: Reprodução
O jornalista Julio César viveu uma verdadeira via sacra até retomar sua vida - Foto: Reprodução

O que deveria ser um procedimento simples para corrigir a apneia do sono se transformou em um pesadelo para o jornalista e DJ Julio Cesar Trindade, de 35 anos. Ele entrou no Hospital Casa de Portugal, no Rio de Janeiro, em 22 de maio de 2024, esperando receber alta no dia seguinte. No entanto, sua vida foi brutalmente alterada: ficou 40 dias em coma, perdeu parte dos dedos da mão direita, os dedos do pé direito e teve a perna esquerda amputada. Além disso, sofreu perda auditiva no ouvido esquerdo. No meio desse turbilhão, tornou-se pai, mas perdeu o momento do nascimento do filho.

Negligência ou fatalidade? O embate na Justiça

Julio decidiu acionar a Justiça contra o hospital e contra a operadora de plano de saúde Bradesco, buscando reparação. Segundo ele, houve negligência médica, o que agravou a infecção hospitalar que resultou nas amputações.

“Eles tinham que ter medido meus sinais vitais de hora em hora. Alegam que fizeram isso, mas minha oxigenação caiu de 100% para 80% muito rápido. Quando relatei falta de ar, me deram Rivotril, dizendo que era ansiedade. Eu nunca tomei remédio controlado na vida”, denuncia o jornalista.

Diante do agravamento de seu estado, a família contratou uma médica particular, que recomendou o uso de um pulmão artificial e a transferência imediata para outra unidade de saúde. No entanto, o plano de saúde negou a transferência, obrigando a família a recorrer à Justiça para garantir o tratamento adequado.

A batalha das famílias contra planos de saúde

A advogada Maria Isabel Tancredo, que representa Julio, ressalta que a situação é recorrente:

“As famílias pagam planos de saúde acreditando que terão segurança nos momentos mais críticos. No entanto, se deparam com duas portas: uma fechada, pela negativa de atendimento, e outra que leva a hospitais credenciados que nem sempre oferecem a estrutura necessária, expondo pacientes a riscos graves”.

O Hospital Casa de Portugal se defendeu em nota, afirmando que a cirurgia foi realizada por uma equipe odontológica externa e que o paciente permaneceu apenas três dias internado na unidade antes de ser transferido. Já a Bradesco Saúde afirmou que não comenta casos em andamento na Justiça.

Julio Cesar com o filho tentando retomar sua sua vida - Foto: Reprodução

A dor de perder momentos irrecuperáveis

Para Julio, a maior perda foi não ter estado ao lado da esposa Maíra na hora do nascimento do filho, João. Ele assistiu ao parto por videochamada, pois ainda estava colonizado com a bactéria.

“Sempre sonhei em ser pai. Imaginei como seria segurar meu filho pela primeira vez, sentir o contato com ele. Mas eu não pude. Isso me dói muito”, desabafa.

Hoje, além de aprender os desafios da paternidade, Julio enfrenta a realidade de viver com próteses e as dificuldades financeiras decorrentes da nova condição. Estima que já gastou R$ 150 mil em tratamentos e adaptações em casa. Como está desempregado, sobrevive com auxílio-doença.

A busca por justiça

O jornalista sabe que nada pode reverter as mudanças que sofreu, mas quer que sua história sirva de alerta para outros pacientes.

“O nascimento do meu filho não tem preço. Mas eu perdi minha qualidade de vida e quero justiça. Quero que outros não passem pelo que eu passei”, conclui.

O caso segue na Justiça, enquanto Julio tenta reconstruir sua vida da melhor forma possível.

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