
Os investidores estrangeiros retiraram R$ 24,2 bilhões da bolsa de valores brasileira, a B3, em 2024, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Este é o pior saldo anual desde 2016, quando a análise começou a ser feita. Nos últimos nove anos, apenas três registraram resultado negativo: 2018, 2019 e agora 2024, marcando um cenário de desconfiança no mercado brasileiro.
Enquanto 2024 apresentou saldo negativo, os anos de 2016, 2017, 2020, 2021, 2022 e 2023 mostraram forte entrada de capital estrangeiro. O destaque foi 2022, com a retomada econômica impulsionada pelo fim das restrições da pandemia, que trouxe um fluxo robusto de recursos para o Brasil. Já em 2024, a saída de capital predominou em oito dos doze meses, sendo os meses de julho, agosto e setembro os únicos com entrada líquida positiva.
De acordo com Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, o saldo negativo reflete a percepção de instabilidade no Brasil. "Momentos de maior entrada de capital estão associados à recuperação econômica, estabilidade política e confiança no ambiente regulatório. Já as saídas recordes, como as de 2024, indicam incertezas que afetam a confiança dos investidores", explica Rivero.
A combinação de fatores macroeconômicos pesou no desempenho do mercado. A alta do dólar, a aceleração da inflação e a perspectiva de juros elevados e duradouros afetaram a atratividade da bolsa brasileira. O cenário fiscal também foi determinante: dúvidas sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas intensificaram a saída de investidores estrangeiros.
O fluxo mensal de capital estrangeiro na B3 em 2024 contrastou com os anos anteriores. Em 2022, por exemplo, o saldo foi positivo em dez meses, e em 2023, em seis. "A redução progressiva de meses positivos reflete maior cautela dos investidores em relação ao mercado brasileiro", avalia Rivero, destacando que o fluxo de capital estrangeiro é um termômetro da atratividade do mercado financeiro nacional.
Para Rivero, os dados de 2024 reforçam a necessidade de ações públicas e privadas que tornem o mercado financeiro brasileiro mais resiliente. "É fundamental criar condições que atraiam e mantenham o capital estrangeiro, como políticas econômicas estáveis e um ambiente regulatório confiável", conclui.
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