
Um levantamento da Confederação Nacional de Transporte (CNT) revelou uma tendência crescente entre os brasileiros: a preferência por aplicativos de transporte, como Uber e 99, em detrimento do transporte público, especialmente os ônibus urbanos. A Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana 2024, realizada em parceria com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), entrevistou 3.117 pessoas em 319 municípios com mais de 100 mil habitantes, destacando essa mudança de comportamento.
Os dados mostram que 30,9% dos entrevistados ainda usam o ônibus como principal meio de transporte, uma queda significativa em relação a 2017, quando 45,2% optavam por esse modal. Em contraste, o uso de aplicativos de transporte saltou de 1% para 11,1% no mesmo período, evidenciando uma substituição gradual do transporte público por opções mais rápidas e flexíveis. Essa mudança não se restringe às classes mais altas; a pesquisa revela que 56,6% dos usuários de apps de transporte pertencem à classe C, enquanto 20,1% estão nas classes D e E.
A principal razão apontada para a escolha dos aplicativos é a maior rapidez das viagens, com 49% dos entrevistados destacando esse aspecto. Outros fatores, como flexibilidade de rotas, conforto e facilidade de uso, também influenciam essa preferência. Em contraste, muitos dos que ainda utilizam o ônibus o fazem por falta de alternativas (52,7%) ou por ser a opção mais barata (32,1%), revelando as deficiências do transporte público, como atrasos, lotação e veículos antigos.
Esses problemas no transporte coletivo não só incentivam o uso de transporte individual, mas também agravam questões como congestionamentos e poluição do ar, aumentando os desafios urbanos. A pesquisa da CNT reflete, assim, não apenas a crescente adesão aos aplicativos de transporte, mas também as falhas estruturais do sistema de transporte público, que precisa de melhorias para se tornar uma opção mais viável e atrativa para a população.
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