
Em 2023, 214 pessoas homossexuais ou transexuais foram assassinadas no Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento, que reúne dados das polícias estaduais, revela um aumento de 42% em comparação a 2022, quando foram registradas 151 mortes.
Os estados do Ceará, Maranhão e Minas Gerais lideraram as estatísticas, com 44, 34 e 32 casos, respectivamente. O Ceará, governado por Elmano de Freitas (PT), também apresentou a maior taxa de ocorrências por 100 mil habitantes, alcançando 42. A falta de dados completos, no entanto, compromete a real dimensão do problema, uma vez que muitos estados, como São Paulo, não forneceram as informações solicitadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário.
Juliana Brandão, pesquisadora sênior do Fórum, alerta para o risco de subnotificação devido à falta de cooperação dos estados. Segundo ela, essa omissão impede que se tenha uma compreensão precisa da violência contra a comunidade LGBTQIAP+ no país. "Dados de entidades independentes indicam um crescimento ainda maior de homicídios em comparação aos registros oficiais", afirmou Brandão, destacando a importância do correto enquadramento dos crimes pelas autoridades policiais.
Um caso emblemático ocorreu em São Paulo, onde Leonardo Rodrigues Nunes, de 24 anos, foi morto com um tiro na cabeça após marcar um encontro pelo aplicativo Hornet, destinado ao público gay. O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) negou que o crime tenha sido motivado por homofobia, o que gerou indignação na família da vítima. "Ele morreu porque era gay. O ódio contra gays é evidente", desabafou Adriana Rodrigues, mãe de Leonardo.
Além dos homicídios, houve um aumento nos registros de lesões corporais e estupros contra pessoas LGBTQIAP+. Os casos de lesão corporal cresceram 21%, passando de 3.024 para 3.673, enquanto os registros de estupro aumentaram 40,5%, subindo de 252 para 354. Minas Gerais, Pernambuco e Ceará lideraram em episódios de lesão corporal, enquanto Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Minas Gerais tiveram os maiores números de estupros registrados.
O Brasil precisa urgentemente acabar com toda a violência direcionada às pessoas da comunidade LGBTQIAP+, negros, mulheres, crianças e pobres. No entanto, focar apenas nesses grupos não resolve o problema real da violência. É uma tática de políticos incompetentes para enganar a população, criando uma cortina de fumaça. A verdadeira solução é que precisamos de leis rigorosas e a certeza de punição para qualquer forma de violência, independentemente de quem seja a vítima, dentro das fronteiras brasileiras.
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