
Durante meus 35 anos, meus olhos viram muita coisa. Viram, reviram e aprenderam também a não ver. Seja em uma comunidade ribeirinha na Amazônia ou na Avenida Paulista, atendi pessoas e confirmei que somos iguais na diferença.
Vi pessoas comuns realizarem feitos extraordinários, enfrentarem seus medos, sombras, e se superarem. Vi pessoas incapazes de reconhecer qualquer vitória alheia, com venenos desnecessários disfarçados de críticas construtivas. Com uma incrível capacidade para competir por toda frivolidade, achando vantagem, com uma inteligência espiritual minúscula, sem saberem que a lei do retorno é real. Vi que prefiro ter poucos amigos a sustentar relações baseadas em nada mais do que o afeto e o interesse genuíno na felicidade alheia. Aprendi a dizer não, a impor limites. Vi que o amor verdadeiro é um estacionamento para corações cansados.
No final das contas, a quem interessa nossa perfeição? Já perto dos 35, tive um insight, um salto quântico. Vi que a felicidade estava à beira de mim, numa elevação de consciência. Vi que o extraordinário é ter saúde mental, é ter a coragem de se amar, e se levantar nas quedas, nos erros.
A maior lição de casa é se bastar, ter lucidez, saber que a voz de Deus é mais importante e que compreender a fraqueza do outro é o primeiro passo para o perdão.
Que desconstruir ideias erradas, disfuncionais e terrorismos psicológicos é imprescindível na profissão que escolhi. Vi que descansar na minha rede velha e surrada chamada imperfeição é parte da minha humanidade finita, mas com uma alma eterna.
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