
Uma nova injeção semestral para profilaxia pré-exposição (PrEP), o lenacapavir, demonstrou 96% de eficácia na prevenção do HIV, segundo um estudo clínico de fase 3 publicado no The New England Journal of Medicine (NEJM) no dia 27/12/24. A pesquisa, que analisou a segurança e a eficácia do medicamento em um amplo grupo de participantes, é um marco na busca por alternativas mais acessíveis e convenientes ao tratamento diário atualmente utilizado.
O estudo Purpose-2, conduzido em 88 centros de pesquisa em países como Brasil, Peru, México, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos, ampliou a diversidade dos participantes em relação à pesquisa anterior, Purpose-1, que havia focado exclusivamente em mulheres cisgênero na África. Nesta nova fase, homens cis, pessoas trans e não-binárias também foram incluídos, reforçando a abrangência do ensaio. Ao todo, 3.271 indivíduos participaram, todos com 16 anos ou mais, que fazem sexo com parceiros designados do sexo masculino no nascimento.
O lenacapavir foi comparado ao Truvada, um medicamento oral diário usado há mais de uma década como PrEP. A escolha de um grupo controle não envolveu placebo devido a questões éticas, utilizando-se o bHIV e o Truvada como comparadores. Os resultados revelaram que 99,9% dos participantes que receberam lenacapavir não contraíram HIV, com apenas dois casos de infecção entre os 2.179 que usaram o medicamento. Ambos foram diagnosticados após a primeira injeção, mas antes da segunda, indicando falha de proteção inicial.
Em termos de eficácia, o lenacapavir apresentou uma redução de risco relativo de 96% em comparação ao bHIV e foi 89% mais eficaz que o Truvada na prevenção de novas infecções. No grupo Truvada, nove participantes contraíram HIV, todos com evidências de baixa adesão ou interrupção do uso do medicamento antes do diagnóstico, reforçando a importância da adesão para a eficácia do tratamento diário.
Atualmente, o lenacapavir é aprovado em vários países para o tratamento de adultos com HIV multirresistente em combinação com outros antivirais. No entanto, seu uso como PrEP ainda está em fase de avaliação pelas agências reguladoras, representando uma esperança promissora para a prevenção do HIV com menos dependência da adesão diária.
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