
A estatal China Nonferrous Trade Co. Ltd. (CNT), subsidiária do China Nonferrous Metal Mining Group Co., adquiriu a maior reserva de urânio do Brasil, localizada na mina do Pitinga, em Presidente Figueiredo, Amazonas. A mina, situada a 107 quilômetros de Manaus, é conhecida por sua riqueza em minerais estratégicos, incluindo urânio, terras raras, nióbio e tântalo.
A negociação foi formalizada na madrugada do dia 26 de novembro, com a transferência de 100% das ações da Mineração Taboca S.A. para a CNT. O controle da Taboca era exercido pela Minsur S.A., uma empresa peruana, que comunicou a venda ao Governo do Amazonas. A transação marca um movimento estratégico da China na aquisição de recursos minerais em uma região próxima às fronteiras com Venezuela e Guiana.
A presença da China Nonferrous em mercados globais é cercada de controvérsias. A estatal chinesa tem histórico de negócios com o Irã, incluindo projetos de engenharia para usinas siderúrgicas e fábricas de alumínio. Essa relação resultou em sanções por parte de estados norte-americanos como Mississippi, Flórida e Alasca, que identificaram conexões da empresa com setores nuclear e militar iranianos, classificados como críticos para a segurança internacional.
O urânio, mineral estratégico, é utilizado principalmente na geração de energia nuclear. No Brasil, 99% do urânio extraído tem esse destino. Contudo, quando enriquecido, o elemento também pode ser usado na fabricação de armas nucleares, o que aumenta sua relevância geopolítica. A compra pela China levanta preocupações sobre o destino desse recurso e sua gestão em um contexto global de disputas por minerais estratégicos.
Além do urânio, a mina de Pitinga possui outros minerais de grande importância industrial, como terras raras, essenciais para a fabricação de turbinas, baterias e equipamentos de alta tecnologia. A proximidade com a hidrelétrica de Balbina reforça o caráter estratégico da região, tornando-a uma peça-chave na disputa por controle de recursos naturais na América do Sul.
A transação coloca o Brasil em uma posição delicada, ao destacar a crescente presença chinesa em setores estratégicos do país. O impacto dessa aquisição vai além da economia, levantando questões sobre soberania nacional, segurança energética e a influência estrangeira em ativos críticos para o desenvolvimento e defesa brasileiros.
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