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Brasil NÃO DEFENDE MULHERES

Governo Lula se omite e não condena o Irã na ONU por matar mulheres

Brasil opta por abstenção em votação que denunciou violência contra mulheres e aumento das penas de morte no Irã

22/11/2024 às 09h34 Atualizada em 23/11/2024 às 10h56
Por: Wagner Albuquerque
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Lula com o presidente da República Islâmica do Irã, Seyyed Ebrahim Raisi - Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert/PR
Lula com o presidente da República Islâmica do Irã, Seyyed Ebrahim Raisi - Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert/PR

Como pode o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do partido que mais afirma defender os direitos das mulheres no Brasil, optar por não condenar o Irã, um dos países que mais desrespeita os direitos humanos, especialmente os das mulheres? Essa foi a postura adotada pelo Brasil ao se abster na votação da ONU que denunciou a repressão iraniana, marcada por violência contra manifestantes, discriminação de gênero e aumento das penas de morte. A resolução, liderada por europeus e norte-americanos, foi aprovada com o apoio de 77 nações, incluindo governos de esquerda como Chile, México, Espanha e Colômbia.

O Itamaraty justificou a abstenção mencionando preocupações com a situação dos direitos humanos no Irã, mas também apontou ações positivas do país, como o acolhimento de mais de 3,7 milhões de refugiados afegãos. O Brasil ainda destacou o compromisso do Irã com tratados internacionais e pediu maior colaboração com os mecanismos de direitos humanos da ONU.

A decisão do Brasil foi acompanhada por outros 65 países, entre eles África do Sul, Índia e Emirados Árabes Unidos, que também optaram pela abstenção. Já Rússia e China, membros do Brics como o Brasil, votaram contra a resolução, reafirmando o alinhamento do bloco em questões sensíveis na arena internacional.

Essa não foi a primeira vez que o governo brasileiro evitou uma posição mais firme contra o regime iraniano. Em abril, o Brasil também se absteve de uma votação na ONU que buscava ampliar investigações sobre violações de direitos humanos no Irã. Segundo o Itamaraty, a estratégia reflete a tentativa de evitar o isolamento do Irã, o que poderia intensificar o radicalismo e acelerar o desenvolvimento de armas nucleares.

O histórico de repressão do Irã ganhou repercussão mundial após a morte de Mahsa Amini, jovem curda presa em 2022 por usar o véu de forma “inapropriada”. A tragédia desencadeou protestos liderados por mulheres, que foram brutalmente reprimidos pelo governo iraniano. Desde então, a comunidade internacional tem exigido respostas mais contundentes contra o regime.

Embora o Brasil defenda um “diálogo construtivo” com o Irã, setores da sociedade criticam a postura do governo Lula, argumentando que ela contradiz a defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos. “Com base no entendimento de que o país está comprometido a fortalecer seus esforços, o Brasil se absterá”, declarou o Itamaraty, em um posicionamento que segue gerando debates sobre ética e pragmatismo na política externa.

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