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Política CORRIDA PRESIDENCIAL

Pesquisa Gerp coloca Flávio à frente de Lula no 1º turno e abre vantagem de 7 pontos no 2º

Levantamento mostra empate técnico entre os dois no primeiro turno, mas registra cenário mais favorável a Flávio em uma eventual disputa direta; outras pesquisas divulgadas na mesma semana, porém, apresentam resultados diferentes

29/09/2026 às 17h23
Por: Douglas Ferreira
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Reviravolta, Flávio está numericamente a frente de Lula no 1 e 2 turnos - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA
Reviravolta, Flávio está numericamente a frente de Lula no 1 e 2 turnos - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo ingrediente nesta terça-feira (29). Pesquisa do instituto Gerp coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 40% de Lula (PT). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico entre os dois principais nomes testados.

O dado que chama mais atenção, entretanto, aparece no segundo turno. Em uma eventual disputa direta entre Flávio e Lula, o levantamento aponta 50% para Flávio contra 43% para o atual presidente, uma diferença de sete pontos percentuais — superior à margem de erro da pesquisa. Os votos em branco ou para nenhum dos dois somam 5%, enquanto 1% não soube responder.

Primeiro turno ainda não autoriza falar em vitória

É justamente aqui que a leitura dos números exige cuidado.

Embora Flávio apareça numericamente à frente no primeiro turno, 42% contra 40% não significa liderança isolada. Com margem de erro de dois pontos, os números podem se sobrepor. Portanto, afirmar que o senador “já leva no primeiro turno” seria transformar uma fotografia estatística em uma conclusão eleitoral que a pesquisa não permite.

O levantamento também mostra que a disputa continua concentrada nos dois principais candidatos. Augusto Cury aparece com 5%, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada. Samara Martins e Romeu Zema registram 1%.

O segundo turno é o dado politicamente mais expressivo

A fotografia muda quando os demais candidatos deixam de fazer parte da simulação.

No confronto direto, Flávio chega a 50%, enquanto Lula fica em 43%. O resultado sugere, dentro dos limites daquela amostra, que o eleitorado dos demais candidatos e os votos ainda não definidos poderiam produzir uma configuração diferente daquela observada no primeiro turno.

Outro indicador merece atenção: a pesquisa registra 50% de rejeição a Lula e 42% a Flávio, em pergunta de múltipla resposta. Rejeição não é intenção de voto, mas ajuda a dimensionar o potencial de resistência que cada candidato enfrenta numa eventual segunda rodada.

Uma pesquisa não conta toda a história

O ponto mais importante da análise está justamente fora da pesquisa Gerp.

No mesmo dia, levantamento AtlasIntel/Bloomberg, realizado com 5.005 entrevistados, apresentou Lula com 45,3% e Flávio com 42,2% no primeiro turno. No segundo turno, os dois aparecem praticamente empatados: 47,7% para Flávio e 47,6% para Lula.

Na véspera, a Quaest também mostrava um cenário diferente: Lula tinha 39% contra 34% de Flávio no primeiro turno, enquanto no segundo os dois apareciam com 42%.

E a pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 28 de setembro, registrava Lula com 42% e Flávio com 37% no primeiro turno; no segundo, Lula tinha 46% contra 44% de Flávio, dentro da margem de erro.

A divergência entre os levantamentos é, portanto, um dado jornalisticamente relevante. Não há uma fotografia única da eleição. Há pesquisas diferentes, realizadas em períodos muito próximos, com metodologias, amostras e margens de erro distintas.

O que o Gerp efetivamente revela

O levantamento ouviu 2.400 eleitores entre 24 e 28 de setembro, por telefone, pelo sistema GerpCati. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95,55%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-03929/2026.

O dado mais objetivo, portanto, não é que alguém “já ganhou”. É que a pesquisa Gerp encontrou uma disputa de primeiro turno tecnicamente empatada e, simultaneamente, um cenário de segundo turno com vantagem de sete pontos para Flávio.

Isso é relevante. Mas também é necessário olhar para o conjunto dos levantamentos.

A eleição ainda é uma disputa em movimento. Pesquisa mede intenção de voto no momento em que o eleitor foi entrevistado; não substitui o voto depositado na urna.

E talvez essa seja a principal notícia por trás dos números: a eleição que parecia ter um roteiro definido começa a apresentar fotografias diferentes, e cada nova pesquisa acrescenta uma peça, mas ainda não entrega o quebra-cabeça completo.

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