
A falta d’água voltou a ocupar lugar de destaque no discurso de Joel Rodrigues na reta final da campanha ao Governo do Piauí. Em agenda política na Zona Norte de Teresina, na noite desta segunda-feira (21), o candidato do Progressistas afirmou que o governador Rafael Fonteles “não fez o dever de casa” e que sua eventual gestão pretende atacar problemas que considera básicos, especialmente abastecimento de água e saúde.
“Eu tenho certeza de que o atual governador só é bom em cálculos e números, mas, no que é o real, ele não fez o básico. Ele não resolveu o problema mais essencial: saúde e água”, afirmou Joel diante de lideranças e apoiadores.
A crítica não surgiu isoladamente na campanha. O abastecimento de água tem sido um dos principais temas de confronto entre Joel e Rafael nas últimas semanas. No debate da TV O Dia, realizado em 16 de setembro, os dois trocaram acusações sobre a situação do abastecimento. Joel cobrou os investimentos e os empréstimos da atual gestão, enquanto Rafael atribuiu parte dos problemas à incapacidade operacional da antiga Agespisa e defendeu as medidas adotadas para ampliar o serviço.
E o problema não está apenas no discurso eleitoral. Nesta segunda-feira, moradores de bairros da Zona Sudeste de Teresina relataram passar até cinco dias sem abastecimento regular. A Águas de Teresina informou que o problema foi provocado por uma ocorrência eletromecânica em dois poços e que equipes trabalhavam para normalizar o fornecimento, além da disponibilização de caminhões-pipa.
É justamente nesse cenário que Joel procura transformar a água em uma das principais bandeiras de sua candidatura.
Ao dizer que Rafael não teria feito o “dever de casa”, Joel faz uma avaliação política de sua adversária e tenta estabelecer uma comparação entre o diagnóstico que apresenta e as soluções previstas em seu Plano de Governo.
O candidato afirma que pretende enfrentar a falta de água com obras de abastecimento, incluindo construção e conclusão de adutoras, além de rever o modelo de concessão dos serviços.
A proposta já havia sido apresentada por Joel no debate da TV O Dia, quando defendeu a execução de obras estruturantes para ampliar o fornecimento de água no interior e nas cidades que ainda enfrentam problemas de abastecimento.
Na prática, portanto, a água deixou de ser apenas um tema administrativo e se transformou em uma das principais linhas de confronto eleitoral entre os dois candidatos.
Na agenda desta segunda-feira, Joel também direcionou sua fala para quem ainda não definiu o voto.
“É seguir firme a caminhada e naturalmente é uma reta final. Muita gente se apresenta como indeciso. Eu quero acreditar que esse já é o meu eleitor, que ainda não se identificou com medo da represália, das perseguições”, declarou.
A afirmação é uma interpretação do próprio candidato sobre o comportamento dos eleitores que se declaram indecisos. Não há, entretanto, como concluir a partir desse segmento que os indecisos sejam majoritariamente seus eleitores.
E esse é um ponto especialmente relevante na reta final.
A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro apontou Rafael com 55% das intenções de voto e Joel com 25%, em levantamento que ouviu 826 eleitores e teve margem de erro de três pontos percentuais.
Uma pesquisa DataMax divulgada em 21 de setembro apresentou números diferentes, embora também mostrasse Rafael à frente: 63,42% contra 18,75% no total da amostra. O levantamento ouviu 1.200 eleitores em 58 municípios e teve margem de erro de 2,83 pontos.
São fotografias diferentes de momentos e metodologias diferentes. O dado comum, nos levantamentos citados, é a liderança de Rafael; já a dimensão dessa vantagem varia consideravelmente entre os institutos.
Joel ainda cumpriu compromissos em Campo Maior nesta segunda-feira e mantém uma agenda intensa nesta terça-feira (22), com caminhadas em Teresina nos períodos da manhã e da tarde.
À noite, permanece na capital para participar de solenidades ao lado de Ciro Nogueira, candidato à reeleição ao Senado.
A estratégia é clara: quanto mais a eleição se aproxima, mais a campanha procura levar seus candidatos para as ruas e transformar problemas concretos em temas eleitorais.
No caso de Joel, a água parece ter encontrado seu lugar definitivo no discurso da reta final.
E talvez exista uma razão simples para isso: promessa de governo pode ser discutida no palanque, mas torneira seca é um problema que o eleitor sente dentro de casa.
Confira a fala de Joel Rodrigues:
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