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Política FORA GONET

Carlos Viana pede afastamento de Paulo Gonet do caso Banco Master e leva crise ao STF

Senador cita foto, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e relatório da PF para questionar a permanência do procurador-geral da República nas apurações; Gonet nega proximidade com o ex-banqueiro

21/09/2026 às 09h13 Atualizada em 21/09/2026 às 10h44
Por: Douglas Ferreira
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Senador Carlos Viana quer Gonet fora da PGR - Foto: Reprodução
Senador Carlos Viana quer Gonet fora da PGR - Foto: Reprodução

O caso Banco Master ganhou mais um personagem e, desta vez, a crise chegou diretamente à Procuradoria-Geral da República. Paulo Gonet aparece em foto com Vorcaro degustando uisque Macallan e fumando charuto em Londres. 

E essa foto tem dado o que falar. 

O senador e candidato à reeleição Carlos Viana (PSD-MG) protocolou neste domingo (20), no Supremo Tribunal Federal, um pedido para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, seja afastado cautelarmente do cargo e impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master. O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

A ofensiva de Viana se apoia em elementos encontrados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Entre eles está uma fotografia que mostra Gonet ao lado de Vorcaro em Londres, em abril de 2024, durante um evento no qual aparecem com charutos e bebidas. A PGR confirmou que a fotografia é autêntica.

Mas a fotografia, sozinha, não prova irregularidade.

O que ela faz é aumentar a necessidade de esclarecimentos.

A polêmica foto que desmente Gonet - Foto: Reprodução

A foto que mudou o tom da discussão

Até recentemente, Gonet vinha descrevendo seu contato com Vorcaro como algo pontual.

Em manifestação ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, o procurador-geral afirmou que teve apenas um encontro presencial com o ex-banqueiro, justamente em Londres, durante um evento que, segundo ele, reunia diversas autoridades e tratava de temas jurídicos e políticos.

Gonet também reconheceu uma conversa telefônica com Vorcaro em março de 2025, mas afirmou que o contato ocorreu a pedido do advogado Ciro Soares, durou poucos minutos e não tratou de assuntos relacionados às suas atribuições na PGR.

O problema é que o celular de Vorcaro revelou outras mensagens que agora estão sendo usadas para questionar essa versão.

Segundo o pedido apresentado por Viana, Ciro Soares teria funcionado como intermediário entre Vorcaro e Gonet. Em uma mensagem de março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma selfie ao lado do procurador-geral e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com vc”.

Londres, charutos e novas mensagens

Há ainda outras mensagens citadas no pedido.

Em uma delas, Soares informa que “PG confirmou a ida pra Londres” e pergunta se o filho de Gonet poderia acompanhá-lo. Vorcaro teria respondido: “Óbvio”. O material também faz referência a uma programação envolvendo charutos e uísque.

É importante fazer uma distinção: essas mensagens e fotografias demonstram contatos e relações que estão sendo questionados, mas não comprovam, por si mesmas, favorecimento, corrupção ou qualquer outro crime.

É justamente para esclarecer o significado desses elementos que o procedimento administrativo no Conselho Superior do MPF deverá ser analisado.

O pedido de afastamento

Na avaliação de Carlos Viana, porém, o conjunto de informações é suficiente para justificar o afastamento cautelar de Gonet tanto do cargo quanto dos procedimentos relacionados ao Banco Master.

O senador sustenta que o procurador-geral aparece nos próprios fatos que precisam ser examinados e, por isso, não deveria permanecer responsável por decisões relacionadas à apuração.

Essa é uma alegação do senador, e caberá ao STF avaliar juridicamente o pedido.

A frase utilizada por Viana resume sua argumentação: “O chefe da instituição não pode ser, ao mesmo tempo, personagem dos fatos e dono da opinião jurídica sobre eles”.

Gonet nega proximidade

Do outro lado, Paulo Gonet rejeita a ideia de que mantivesse uma relação pessoal próxima com Vorcaro.

Sua versão é objetiva: o único encontro presencial ocorreu em Londres, em abril de 2024, em um evento com outras autoridades. Sobre a ligação telefônica de 2025, afirma que foi breve e intermediada por Ciro Soares, sem tratar de assuntos relacionados às suas funções na PGR.

Essa versão agora será confrontada com o material extraído do celular de Vorcaro.

E aí está o ponto central.

Não basta olhar uma fotografia isoladamente. Também não basta olhar uma mensagem isoladamente. É preciso juntar fotografia, mensagens, datas, viagens, contatos e eventuais documentos para compreender o contexto.

O Conselho do MPF entra em cena

A controvérsia já chegou ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.

O colegiado marcou para 25 de setembro a análise de um procedimento administrativo relacionado às menções a Gonet nas mensagens encontradas durante as investigações da Operação Compliance Zero.

Portanto, haverá pelo menos duas frentes de análise: o pedido apresentado por Carlos Viana ao STF e o procedimento administrativo no próprio Ministério Público Federal.

E ambas terão de enfrentar a mesma questão:

o que exatamente significam os contatos entre Gonet e Vorcaro revelados pela investigação?

A crise do Banco Master vai subindo de nível

O episódio mostra como o caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras.

Agora envolve empresários, advogados, ministros do STF, o procurador-geral da República, Polícia Federal e o próprio Conselho Superior do Ministério Público Federal.

E quanto mais nomes aparecem, maior precisa ser o cuidado para não transformar suspeitas em condenações.

Uma fotografia não é prova de crime.

Uma mensagem não é prova de corrupção.

Uma amizade ou um encontro também não são, por si só, demonstração de irregularidade.

Mas fotografias, mensagens, contratos, pagamentos e documentos, analisados em conjunto, podem formar um conjunto probatório que precisa ser explicado.

É justamente isso que está sendo colocado à mesa.

Agora, caberá às instituições responderem às perguntas — sem proteção para ninguém e sem condenação antecipada de ninguém.

Porque, no caso Banco Master, a cada novo documento que aparece, a pergunta deixa de ser apenas “quem conhecia quem?”

Passa a ser:

o que realmente aconteceu entre eles — e existe alguma consequência jurídica decorrente disso?

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