
Se a política é, como definiu Otto von Bismarck, o "chanceler de ferro", a arte do possível, no Brasil ela muitas vezes parece também ser a arte do acordo. A PEC que prevê o fim da escala 6x1 é um exemplo disso. Depois de permanecer travada, a proposta avançou no Senado justamente em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Alcolumbre havia sinalizado anteriormente que a matéria só avançaria para a Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ, depois das eleições. Agora, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o senador já assinou o despacho que encaminha a proposta ao colegiado, presidido por Otto Alencar. O documento, entretanto, ainda não havia sido disponibilizado no sistema do Senado.
O movimento ocorre poucos dias depois de um jantar que reuniu os chefes dos três Poderes e em meio à retomada do diálogo entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. Na segunda-feira (17), durante agenda no Amapá, o presidente do Senado também fez elogios públicos a Lula pela atuação do governo na exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Na política, portanto, aquilo que parecia adiado pode voltar à mesa. Uma conversa pode mudar o cenário, uma negociação pode destravar uma proposta e um acordo pode alterar o calendário. Resta agora saber se a mesma articulação capaz de fazer a PEC tramitar será suficiente para construir os votos necessários à sua aprovação.
E aí começa a parte mais difícil. Tramitar é uma coisa. Aprovar é outra. A PEC do fim da escala 6x1 mexe diretamente com relações trabalhistas, empresas e trabalhadores e promete provocar um debate intenso no Congresso.
Para os defensores da proposta, a mudança representa avanço nas condições de trabalho e na qualidade de vida. Para setores empresariais, porém, a alteração pode elevar custos, exigir reorganização das jornadas e produzir impactos sobre produtividade e empregos.
No ambiente eleitoral, a discussão ganha ainda mais sensibilidade. Apoiar ou rejeitar a PEC pode produzir consequências políticas para parlamentares, especialmente porque uma proposta que mexe diretamente com a rotina de milhões de trabalhadores tende a despertar forte reação da sociedade.
Agora começa a verdadeira prova de fogo: descobrir se o acordo que destravou a tramitação também será capaz de produzir consenso suficiente para aprovar a mudança.
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