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Política ELEIÇÃO 2026

Crise no coração da campanha: Lula tenta estancar desgaste com Lulinha e Marcola às vésperas da eleição

Filho do presidente é alvo de três inquéritos da Polícia Federal e tem pedido para abertura de um quarto. Ex-chefe de gabinete deixa a campanha após admitir empréstimo de R$ 249 mil com lobista investigada no escândalo do INSS

07/08/2026 às 09h17 Atualizada em 07/08/2026 às 09h48
Por: Douglas Ferreira
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Lula e Lulinha, o filho comprometendo a campanha do pai à reeleição - Foto: Reprodução
Lula e Lulinha, o filho comprometendo a campanha do pai à reeleição - Foto: Reprodução

A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra na fase decisiva sob forte pressão política. A poucos dias do início oficial da propaganda eleitoral, dois personagens do núcleo mais próximo do presidente passaram a concentrar as atenções: o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Os dois casos têm um elo em comum: a empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de atuar como intermediária em negociações envolvendo empresários e integrantes do governo, além de manter relações com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais investigados no esquema de descontos ilegais que teria provocado um prejuízo estimado em mais de R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas.

A situação mais delicada envolve Lulinha. O filho do presidente já é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência, enquanto a Polícia Federal também pediu a abertura de um quarto procedimento investigativo. As investigações buscam esclarecer se ele teria utilizado sua influência para facilitar interesses empresariais ligados a Roberta Luchsinger e ao chamado Careca do INSS.

Outro foco da crise é Marcola, homem de absoluta confiança de Lula durante praticamente todo o atual mandato. Como chefe de gabinete da Presidência, ele participou de pelo menos 113 reuniões oficiais com o presidente entre o Palácio do Planalto, o Alvorada e a Granja do Torto. Após a revelação de que recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, Marcola deixou oficialmente a coordenação da campanha presidencial.

Em nota, o ex-assessor afirmou que o dinheiro se referia a um empréstimo pessoal, já quitado, e negou qualquer irregularidade. A justificativa, no entanto, não encerrou os questionamentos. A principal dúvida levantada por críticos é por que um dos auxiliares mais poderosos do Palácio do Planalto buscaria recursos justamente com uma lobista posteriormente investigada pela Polícia Federal, e não por meio do sistema bancário tradicional.

A explicação também reacendeu comparações com outro episódio envolvendo uma importante liderança petista. O senador Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, sustentou que a aquisição de um apartamento ocorreu por meio de um arranjo semelhante, alegando que um amigo comprou o imóvel para que ele o pagasse posteriormente. Nos dois casos, as justificativas se baseiam em relações pessoais e empréstimos privados, mas ambos passaram a ser alvo de intenso escrutínio público porque envolvem pessoas ligadas a investigações sobre supostos esquemas criminosos.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados divergem sobre os efeitos eleitorais da crise. Um grupo acredita que os episódios terão impacto limitado, por não envolverem diretamente o presidente. Outro entende que a sucessão de notícias negativas pode desgastar a imagem da campanha justamente no momento em que Lula tenta consolidar sua vantagem nas pesquisas.

O próprio presidente procurou minimizar os fatos. Em conversa com aliados, afirmou que qualquer cidadão pode pedir dinheiro emprestado a amigos e reiterou que a Polícia Federal possui autonomia para investigar quem considerar necessário. Em entrevista recente, Lula também declarou que o filho não receberá qualquer privilégio e que responderá normalmente à Justiça caso seja considerado culpado.

Apesar desse discurso, a oposição deve explorar intensamente os episódios durante a campanha. Afinal, embora Lula não figure como investigado nesses procedimentos, os fatos atingem diretamente pessoas de sua confiança e integrantes de seu círculo familiar mais próximo.

Mais do que um problema jurídico, o desafio passa a ser político. A estratégia da campanha será convencer o eleitor de que as investigações envolvendo Lulinha e Marcola pertencem ao campo individual e não comprometem o governo. Já os adversários tentarão demonstrar exatamente o contrário: que a repetição de casos envolvendo pessoas próximas ao presidente levanta dúvidas sobre o ambiente político que cerca o Palácio do Planalto.

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