
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente da República na chapa do Partido Liberal. O anúncio ocorreu no último dia do prazo das convenções partidárias e encerrou semanas de negociações para a formação da aliança eleitoral.
A escolha surpreendeu parte da própria direção do PL, já que o nome de Alfredo Gaspar não figurava entre os favoritos para ocupar a vaga. A expectativa inicial era que o partido utilizasse a vice-presidência como instrumento para atrair legendas do Centrão, ampliar a coligação e aumentar o tempo de propaganda no rádio e na televisão.
As negociações envolveram partidos como Republicanos, Podemos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). No entanto, as conversas não prosperaram. As principais legendas optaram por manter posição de neutralidade na disputa presidencial, levando o PL a formar uma chapa composta exclusivamente por filiados da própria sigla, a chamada chapa "puro-sangue".
Ao justificar a escolha, Flávio Bolsonaro destacou a experiência de Alfredo Gaspar na área da segurança pública, sua atuação política no Nordeste e o trabalho desempenhado como relator da CPMI do INSS, comissão parlamentar que investigou fraudes em benefícios previdenciários.
Durante os trabalhos da comissão, Gaspar apresentou relatório propondo o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas às investigações conduzidas pela CPMI. O relatório, contudo, não produz efeitos judiciais automáticos, cabendo aos órgãos competentes avaliar eventual prosseguimento das apurações.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a definição pelo parlamentar alagoano já vinha sendo discutida internamente há cerca de seis meses e classificou a escolha como a melhor opção para a chapa presidencial.
Em seu discurso, Alfredo Gaspar agradeceu a indicação e afirmou que pretende defender pautas relacionadas ao combate à corrupção, à segurança pública e ao fortalecimento das instituições. O parlamentar também fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar após condenação criminal, e reafirmou seu alinhamento político com o grupo bolsonarista.
A escolha de Gaspar também representa uma estratégia eleitoral. Natural de Alagoas e com trajetória no Ministério Público e na Segurança Pública, o deputado amplia a presença da chapa no Nordeste, região onde as pesquisas de intenção de voto apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes da definição, o PL chegou a cogitar nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e as deputadas Bia Kicis, Júlia Zanatta e Priscila Costa. Flávio Bolsonaro também avaliava indicar uma mulher para a vice-presidência, estratégia que acabou sendo abandonada diante da dificuldade para consolidar alianças partidárias.
Com a definição da chapa, o PL inicia oficialmente a campanha presidencial apostando em um discurso centrado na segurança pública, no combate à corrupção e na oposição ao governo federal, enquanto busca ampliar sua competitividade eleitoral em regiões historicamente menos favoráveis ao partido.
Nome: Alfredo Gaspar de Mendonça Neto
Idade: 55 anos
Partido: Partido Liberal (PL)
Estado: Alagoas
Alfredo Gaspar é advogado, ex-promotor de Justiça e deputado federal por Alagoas. Antes de ingressar na política, construiu carreira no Ministério Público, onde também exerceu o cargo de procurador-geral de Justiça do Estado.
Na área da segurança pública, foi secretário de Segurança Pública de Alagoas, função em que ganhou notoriedade por ações de combate à criminalidade e ao crime organizado.
Em 2022, foi eleito deputado federal. Durante o mandato, tornou-se uma das principais vozes da oposição ao governo Lula ao assumir a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No relatório final da CPMI, Alfredo Gaspar propôs o indiciamento de diversos investigados, entre eles Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas às investigações conduzidas pela comissão. As recomendações, entretanto, dependem da análise e eventual prosseguimento pelos órgãos competentes.
Em agosto de 2026, foi escolhido por Flávio Bolsonaro para compor a chapa presidencial do PL como candidato a vice-presidente da República, representando uma aposta do partido em sua experiência na segurança pública, atuação parlamentar e representatividade da região Nordeste.
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