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Política ÁGUA SUBTERRÂNEA

Ciro propõe isenção para uso de água de poços onde não há abastecimento público

Projeto de lei pretende impedir cobrança de taxas sobre água subterrânea em propriedades sem acesso à rede pública e pode beneficiar mais de 1 milhão de piauienses

06/08/2026 às 18h40
Por: Douglas Ferreira
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Projeto de Ciro pretende acabar com a cobrança de água de poço - Foto: Reprodução
Projeto de Ciro pretende acabar com a cobrança de água de poço - Foto: Reprodução

O senador Ciro Nogueira (Progressistas), candidato à reeleição, apresentou um projeto de lei que pretende acabar com a cobrança de taxas, tarifas e da outorga para o uso de água subterrânea em propriedades que não são atendidas por redes públicas de abastecimento. A proposta busca garantir que famílias, produtores rurais e proprietários de imóveis que dependem exclusivamente de poços artesianos ou outras soluções individuais não sejam penalizados por um serviço que o próprio poder público não oferece.

Atualmente, a legislação permite a cobrança pelo uso da água extraída de aquíferos subterrâneos. No Piauí, inclusive, o Governo do Estado editou legislação estabelecendo tarifas para essa utilização e prevê até a instalação de medidores nos poços para calcular o consumo.

O projeto apresentado por Ciro altera a Lei nº 9.433/1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, e a Lei nº 11.445/2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.

A proposta determina que não haja cobrança pelo uso da água subterrânea destinada ao consumo próprio ou às atividades produtivas em propriedades que não disponham de abastecimento público. Também proíbe a cobrança de taxas ou tarifas quando a população for obrigada a recorrer a soluções particulares para obter água e tratar o esgoto, desde que essas estruturas atendam às normas ambientais e sanitárias.

Projeto isenta cobrança da água de poços - Foto: Reprodução

Na prática, caso seja aprovado, o projeto inviabiliza a cobrança sobre poços artesianos construídos e mantidos pelos próprios moradores em localidades onde o Estado ou os municípios não oferecem rede pública de abastecimento.

Segundo o senador, é injusto cobrar de quem já assume todos os custos de perfuração, instalação, manutenção e operação de um poço para garantir o abastecimento da própria família ou da produção rural.

A proposta poderá beneficiar milhares de propriedades, especialmente nas regiões rurais e no semiárido nordestino, onde os poços artesianos representam, muitas vezes, a única fonte de água disponível.

Os números reforçam essa realidade. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2022, mostram que 637 mil piauienses não possuíam ligação à rede formal de abastecimento de água, enquanto mais de 500 mil pessoas, principalmente na zona rural, não tinham acesso regular e diário ao serviço.

Somados, são aproximadamente 1,13 milhão de piauienses vivendo sem abastecimento público adequado ou dependendo de fontes alternativas de água, cenário que evidencia o alcance social da proposta.

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