
O avanço das facções criminosas no Nordeste voltou a ser alvo de uma grande ofensiva das forças de segurança. Em uma operação de grande porte, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) desarticulou parte da estrutura financeira de uma organização criminosa com atuação no Piauí, Ceará e Goiás, bloqueando mais de R$ 18 milhões em bens e ativos ligados ao grupo.
Batizada de Livro Caixa I e Livro Caixa II, a operação cumpriu 68 ordens judiciais, sendo 28 mandados de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão e 14 medidas de bloqueio de ativos financeiros, determinadas pela Central de Inquéritos de Parnaíba.
O foco da investigação não foi apenas prender criminosos, mas atingir o coração da organização: o dinheiro. Segundo a Polícia Federal, o grupo mantinha uma sofisticada estrutura voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, mecanismo utilizado para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com atividades ilícitas.
As ações ocorreram nos municípios piauienses de Parnaíba, Cocal e Teresina, além das cidades cearenses de Camocim, Granja e Fortaleza, chegando ainda a Valparaíso de Goiás, demonstrando o caráter interestadual da organização criminosa.
Durante o cumprimento dos mandados, foi preso um homem apontado como suspeito de participar do assassinato do inspetor da Polícia Civil do Ceará Glicélio Félix de Almeida, morto a tiros em dezembro de 2023, na cidade de Granja. A principal linha investigativa aponta que o crime teria sido uma execução determinada por integrantes de facção criminosa em represália à atuação do policial no combate ao crime organizado.
A prisão reforça uma preocupação crescente das autoridades: além de controlar o tráfico de drogas, organizações criminosas passaram a investir cada vez mais em estruturas financeiras complexas para ocultar patrimônio e ampliar seu poder econômico. O objetivo é garantir recursos para financiar armas, logística, corrupção e expansão territorial.
A ofensiva contou com a atuação conjunta da Polícia Federal, Polícia Penal Federal, Polícias Civil, Militar e Penal do Piauí, além do apoio da FICCO do Ceará e das forças de segurança daquele Estado, evidenciando que o enfrentamento às facções exige integração entre diferentes órgãos e compartilhamento de inteligência.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, rastrear a origem dos recursos movimentados e localizar novos patrimônios ligados ao esquema criminoso. Todo o material apreendido passará por perícia.
A estratégia adotada pelas forças de segurança segue uma tendência nacional: além de prender integrantes das facções, as autoridades buscam sufocar financeiramente essas organizações, atingindo justamente o patrimônio que sustenta suas atividades ilícitas.
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