
O governo federal prepara a segunda fase do chamado Plano Brasil Soberano, criado para reduzir os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. No entanto, as medidas que vêm sendo discutidas indicam que a principal resposta será a ampliação de linhas de crédito, estratégia que já desperta dúvidas entre empresários e especialistas sobre sua capacidade de oferecer alívio imediato.
A proposta em elaboração pelo Ministério da Fazenda concentra-se, sobretudo, em financiamentos por meio do BNDES e em ações de apoio à abertura de novos mercados internacionais. O problema apontado por representantes do setor produtivo é que empresas que já enfrentam perda de receitas poderão ser levadas a assumir novas dívidas justamente em um momento de fragilidade financeira.
Na prática, o plano ainda não contempla medidas de maior alcance, como incentivos fiscais, desonerações temporárias ou mecanismos mais amplos de estímulo à comercialização da produção afetada. Também não há previsão, até o momento, de um programa robusto de compras governamentais voltado especificamente para os setores atingidos.
Outro ponto que chama atenção é o orçamento reservado à ApexBrasil para diversificação de mercados. A previsão é de aproximadamente R$ 130 milhões, valor considerado modesto diante de um impacto estimado em cerca de US$ 7,2 bilhões sobre as exportações brasileiras atingidas pelas novas tarifas.
O pacote definitivo deverá ser apresentado apenas em meados de agosto. Até lá, permanece o debate sobre qual deve ser o papel do Estado em momentos de crise: ampliar o acesso ao crédito, com potencial aumento do endividamento das empresas, ou adotar instrumentos adicionais de estímulo econômico que reduzam os prejuízos sem elevar a carga financeira dos setores afetados.
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