
O Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2024 foi concedido aos cientistas americanos Victor Ambros, de 70 anos, e Gary Ruvkun, de 72 anos. Ambos foram premiados por suas descobertas sobre microRNAs, pequenas moléculas que desempenham papel crucial no controle da ativação e desativação de trechos do DNA. Essas descobertas são fundamentais para o desenvolvimento celular e têm implicações diretas na compreensão de doenças, como o câncer. O anúncio foi feito pelo Instituto Karolinska, em Estocolmo, em transmissão ao vivo.
Ambros trabalha na Escola Médica da Universidade de Massachusetts, enquanto Ruvkun é afiliado à Universidade Harvard e ao Hospital Geral de Massachusetts. No início de suas carreiras, ambos realizaram pesquisas em pós-doutorado no mesmo laboratório, onde iniciaram as investigações que agora lhes renderam o Nobel. Suas descobertas datam originalmente dos anos 1990 e 2000 e abriram novas fronteiras no entendimento da regulação genética.
A descoberta dos microRNAs começou com estudos sobre o desenvolvimento do verme C. elegans. Ambros e Ruvkun observaram mutações no DNA desse organismo que causavam problemas de desenvolvimento. Durante essas pesquisas, eles identificaram trechos curtos de RNA que não codificavam proteínas, mas regulavam a expressão de genes, um mecanismo que até então não era compreendido. A partir dessa descoberta, eles descreveram como os microRNAs interagem com o RNA mensageiro, silenciando a expressão de determinados genes.
Embora inicialmente acreditassem que o fenômeno fosse exclusivo do verme estudado, pesquisas subsequentes mostraram que microRNAs desempenham funções semelhantes em diversos organismos, incluindo seres humanos. Atualmente, sabe-se que essas pequenas moléculas regulam cerca de 60% dos genes humanos, e mutações relacionadas a microRNAs podem estar ligadas ao desenvolvimento de várias doenças, como o câncer, o que torna o estudo dessa área crucial para a biomedicina.
O reconhecimento de Ambros e Ruvkun foi amplamente esperado pela comunidade científica, embora houvesse ceticismo, já que outros pesquisadores, como Craig Mello e Andrew Fire, foram premiados em 2006 por descobertas relacionadas à interferência de RNA, um processo com semelhanças ao papel dos microRNAs. De qualquer forma, o impacto das descobertas dos ganhadores de 2024 continua a abrir novas perspectivas tanto em terapias quanto no entendimento do organismo humano.
O prêmio Nobel, criado por Alfred Nobel, é concedido desde 1901 e é considerado a maior honra no campo científico. Em 2024, o prêmio em Fisiologia e Medicina foi entregue pela 115ª vez, e cada laureado recebeu, além do reconhecimento, metade do valor total de 11 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de 5,78 milhões de reais.
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