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Caso Master: modus operandi de Vorcaro tem “contornos de máfia”, diz Mendonça

Relatório da Polícia Federal revela reuniões reservadas, uso de celulares internacionais, destruição de mensagens e atuação de familiares e aliados no esquema investigado envolvendo o Banco Master

17/06/2026 às 09h14 Atualizada em 17/06/2026 às 16h16
Por: Douglas Ferreira
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O modus operandi do esquema de Vorcaro se assemelha ao da máfia - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA
O modus operandi do esquema de Vorcaro se assemelha ao da máfia - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA

A cada revelação sobre o Caso Master, fica mais claro o que o ministro André Mendonça quis dizer ao afirmar, em sessão no Supremo, que vê a existência de “contornos de máfia” no caso envolvendo Vorcaro. Se é que se revele verdadeiro, uma máfia tupiniquim. Sim. As grandes máfias, como a Camorra, associação criminosa italiana originária de Nápoles, conhecida por atividades ilegais e controle territorial, raramente expõem de forma tão direta membros familiares como esposa, filhos e, sobretudo, o pai. No caso da suposta "máfia" de Vorcaro tem pai, primo, cunhado e companhia limitada. Se é máfia ou não, as investigações é que dirão. Porém, o modus operandi certamente apresenta, sim, os tais "contornos de máfia". Senão vejamos.

Relatório da Polícia Federal divulgado nesta semana revela uma série de comportamentos que chamaram a atenção dos investigadores. Conversas reservadas em locais discretos, reuniões realizadas dentro de carros de luxo, utilização de números telefônicos internacionais e estratégias para dificultar monitoramentos fazem parte do material reunido pela PF.

Segundo os investigadores, essas práticas eram comuns entre pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O grupo investigado incluiria Felipe Mourão, apelidado de "Sicário", apontado como responsável por transmitir ordens de intimidação, além de integrantes de dois núcleos distintos: "A Turma", formada principalmente por policiais e ex-policiais, e "Os Meninos", grupo especializado em tecnologia e operações digitais.

De acordo com a Polícia Federal, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva seria uma das figuras centrais da engrenagem. A investigação sustenta que ele utilizava sua experiência e rede de contatos para coordenar ações de coação e obtenção de informações sigilosas, contando com o auxílio de outros agentes aposentados, entre eles Sebastião Monteiro Júnior.

Já o braço tecnológico da estrutura teria como liderança David Henrique Alves. Segundo a PF, ele comandaria um núcleo especializado em invasões cibernéticas, monitoramento de alvos e derrubada de perfis considerados adversários do grupo.

Um dos episódios destacados pela investigação ocorreu em 1º de março de 2026. Mensagens interceptadas mostram Sebastião Monteiro convidando Marilson Roseno para um jogo do Atlético Mineiro. Marilson recusou o convite, mas sugeriu um encontro reservado em seu prédio para conversar sobre "uma ideia". Nas mensagens, orientou que o assunto fosse tratado longe de terceiros, afirmando que havia pessoas em seu apartamento que poderiam "atrapalhar".

Imagens de segurança analisadas pela Polícia Federal mostram que os dois se encontraram no pilotis do edifício e permaneceram conversando sozinhos por aproximadamente uma hora e dez minutos. Para os investigadores, o local escolhido e o comportamento dos envolvidos reforçam a suspeita de que buscavam evitar exposição.

No dia seguinte, outra situação considerada atípica foi registrada. Uma equipe policial identificou uma Range Rover preta estacionada em frente ao prédio de Marilson Roseno. Dentro do veículo, segundo o relatório, ele e Felipe Mourão permaneceram reunidos por cerca de uma hora e vinte minutos. A PF também relata que outra Range Rover ligada a Mourão foi posteriormente abordada pela Polícia Rodoviária Federal transportando computadores, notebooks e equipamentos eletrônicos utilizados por integrantes do núcleo tecnológico.

Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a utilização de números telefônicos estrangeiros. Segundo a PF, Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro e atualmente preso por decisão mantida pelo Supremo Tribunal Federal, passou a utilizar um terminal registrado na Colômbia. Já Sebastião Monteiro utilizaria um número dos Estados Unidos para se comunicar com outros integrantes do grupo. O próprio Marilson também recorreria a linhas internacionais por meio do WhatsApp Business.

As investigações também apontam para uma rotina de destruição de provas digitais. Em uma das mensagens analisadas, Daniel Vorcaro teria enviado um áudio sigiloso a Felipe Mourão acompanhado da orientação para que fosse apagado imediatamente e não compartilhado com ninguém. A resposta foi direta: "Manda e apaga. Vou só ouvir". A PF afirma ainda que encontrou indícios de exclusão deliberada de conversas entre investigados, além da utilização frequente de mensagens temporárias e chamadas realizadas exclusivamente por aplicativos.

É justamente esse conjunto de elementos, reuniões discretas, uso de tecnologia para ocultação de rastros, comunicações internacionais, destruição de mensagens e atuação coordenada entre familiares, aliados e operadores especializados, que ajuda a compreender a referência feita pelo ministro André Mendonça aos "contornos de máfia". Evidentemente, cabe à Justiça definir se houve ou não organização criminosa e qual o grau de participação de cada investigado. Mas, à medida que novos fatos vêm à tona, fica cada vez mais evidente por que a expressão utilizada pelo ministro ganhou tanta repercussão.

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