
A atual gestão do Tribunal Superior Eleitoral, sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, carrega o peso de resgatar a credibilidade de uma instituição sob forte suspeita. Na memória do eleitorado, permanece viva a percepção de que, no pleito de 2022, a corte eleitoral agiu de forma parcial, pavimentando o caminho para o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. Hoje, o tribunal tenta responder a esse ceticismo detalhando medidas de fiscalização para as próximas eleições, com foco na infiltração de membros de facções criminosas nos partidos.
Essa preocupação atual traz à tona uma advertência histórica de Ulysses Guimarães, um dos grandes nomes da redemocratização. Décadas atrás, quando o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital ainda ensaiavam seus primeiros passos, o político foi categórico ao ser questionado sobre o avanço da criminalidade: "O Estado só perde para o crime organizado quando está em conluio ou em conjunto com ele, o Estado é sempre mais forte". A frase, que antes parecia um manifesto de força institucional, hoje soa como um diagnóstico perturbador da realidade brasileira.
A sensação de insegurança que assola o país não é um delírio coletivo, mas o resultado de um projeto político que, historicamente, negligenciou o combate à criminalidade. Sob as gestões do Partido dos Trabalhadores, o crime organizado deixou de ser um problema de segurança pública local para se transformar em um conglomerado de organizações transnacionais. O que antes eram gangues de presídio tornaram-se verdadeiras multinacionais do crime, que utilizam a fragilidade das fronteiras e a leniência das leis brasileiras para exportar toneladas de entorpecentes e consolidar o terror em escala global.
Essa metástase do narcotráfico colocou o Brasil na mira da geopolítica ocidental. Nos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, o cerco a esses cartéis ganhou o status de guerra ao terror, dado que essas facções possuem armamento pesado e táticas de guerrilha superiores às de muitos exércitos regulares. Ao mirar nas rotas financeiras e operacionais do crime que asfixia a juventude americana, Washington acaba por expor a fragilidade do governo de Lula. Acuado, o presidente brasileiro recorre à velha e gasta retórica da soberania nacional para camuflar a própria incapacidade de reagir, tratando um problema de segurança global como mera interferência externa.
Enquanto o palácio discute soberania, o cidadão comum vive em estado de sítio privado, trancado em sua própria casa e refém do medo. A sociedade brasileira chegou ao seu limite e já não tolera a narrativa de que o criminoso é uma "vítima da sociedade" ou de que roubos são delitos menores e aceitáveis. O colapso da segurança pública no Brasil não é um acidente de percurso, é o reflexo de um Estado que escolheu cruzar os braços, permitindo que a soberania do cidadão fosse confiscada pelo crime.
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