
Pouca gente no Brasil sabe — e hoje o próprio lulismo evita tocar no assunto —, mas Lula já teve um filho vereador em São Bernardo do Campo. Sim, Marcos Cláudio Lula da Silva, o “Marcos Lula”, foi eleito em 2012, surfando ainda na popularidade herdada dos dois mandatos do pai e no auge do primeiro governo Dilma Rousseff.
Mas a trajetória política durou pouco. Assim que começaram a explodir os escândalos de corrupção envolvendo o PT, seguidos pela Operação Lava Jato, Marcos Lula simplesmente desapareceu da cena política. Politicamente falando, tomou o rumo de baixo.
E aí surge uma pergunta inevitável: quais projetos apresentou? Quais leis aprovou? Qual legado deixou na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo?
A resposta parece ser: ninguém sabe.
Mesmo realizando uma busca mais aprofundada, praticamente não existem registros públicos relevantes sobre sua atuação parlamentar. É quase como se o mandato jamais tivesse existido. Sabe-se apenas que foi eleito em 2012 e derrotado em 2016. O restante virou um enorme vazio documental e político.
Mas isso talvez não surpreenda. Afinal, embora Lula e seus aliados critiquem constantemente Jair Bolsonaro por ter colocado os filhos na política, a verdade é que os filhos de Bolsonaro conseguiram construir carreiras eleitorais próprias — goste-se delas ou não.
Flávio Bolsonaro chegou ao Senado pelo Rio de Janeiro. Eduardo Bolsonaro foi deputado federal por São Paulo. Carlos Bolsonaro construiu longa trajetória como vereador no Rio de Janeiro. E Jair Renan Bolsonaro também entrou para a política municipal em Santa Catarina.
Todos passaram pelo teste das urnas e conseguiram votação popular. E mais: mesmo sob intensa pressão política e judicial, continuaram ocupando espaço no debate público nacional.
Eduardo Bolsonaro, por exemplo, decidiu permanecer nos Estados Unidos alegando perseguição política e jurídica por parte do STF. Segundo ele próprio, a permanência fora do Brasil seria uma forma de buscar proteção diante do avanço de investigações e medidas judiciais que considera abusivas.
Já no núcleo familiar de Lula, os movimentos tomaram outra direção. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passou anos associado a investigações, contratos controversos e suspeitas envolvendo relações empresariais pouco transparentes. E chamou atenção o fato de ter escolhido justamente a Espanha como destino no momento em que cresceram as repercussões políticas e policiais relacionadas ao escândalo do INSS e a investigações correlatas.
Enquanto os filhos de Bolsonaro são conhecidos principalmente pela atuação eleitoral e parlamentar, os filhos de Lula frequentemente aparecem ligados a episódios nebulosos, negócios pouco compreendidos e suspeitas recorrentes.
E não para por aí.
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha mais velha de Lula, também viu seu nome envolvido em questionamentos relacionados a uma ONG investigada pelo desaparecimento de cerca de R$ 7,5 milhões em recursos públicos. Um episódio cercado de dúvidas e explicações nunca totalmente esclarecidas para a opinião pública.
No fim das contas, o contraste político é inevitável. De um lado, filhos que buscaram votos, mandatos e exposição eleitoral direta. Do outro, familiares que raramente disputaram eleições, mas que frequentemente aparecem associados a investigações, suspeitas, contratos obscuros e negócios difíceis de compreender.
E isso gera outra dúvida inevitável: afinal, quais são exatamente as atividades empresariais dos filhos de Lula? Em que áreas atuaram? Quais empresas criaram? Que trajetória profissional concreta possuem?
São perguntas que continuam despertando curiosidade e alimentando o debate político brasileiro.
Mas, talvez o grande diferencial entre a prole dos dois seja que o 01 de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, está pré-candidato à presidência da República, em uma disputa competitiva.
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