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TSE aperta o cerco contra a “pidança” de voto em igrejas e manda recado para 2026

Justiça Eleitoral reforça limite entre fé e campanha política, critica uso de templos como palanque e deixa claro que o voto pertence ao povo, não ao púlpito

30/05/2026 às 11h20 Atualizada em 30/05/2026 às 11h55
Por: Douglas Ferreira
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TSE quer separar eleição de religião - Foto: Reprodução
TSE quer separar eleição de religião - Foto: Reprodução

O jogo eleitoral é bruto e cada um usa a arma que pode. Mas nem tudo é possível. Abortista, por exemplo, costuma negar o aborto. Os que defendem a droga passam longe das “biqueiras” da vida. Se uma rua tem “boca de fumo” é melhor mudar de rua. Mas há também os que acreditam e defendem que “traficante é vítima do viciado” e não estão nem aí. Outros ficam tristes com a classificação das duas maiores organizações criminosas do país como grupos terroristas globais.

Sim. Tem disso, acredite. E não por acaso. O crime tem voto certo no Brasil.

Aliás, muita pauta identitária some do discurso em tempo de eleição. O mais cínico chega ao ponto de negar amizade de dourada. Ou seria branca? Enfim, ateu vira devoto. Tem de tudo. Tudo mesmo.

Aquele que passa a vida inteira tramando, desfilando e duvidando de Deus aparece ajoelhado em altar. Tem até criação de comissão para estreitamento com o povo cristão. Tudo na mais pura “pidança” de voto.

De olho nisso, a Justiça Eleitoral resolveu apertar o cerco. O Tribunal Superior Eleitoral deixou claro: está proibido transformar igreja em palanque eleitoral. E sinceramente? Já passou da hora. Chega de "lobo vestido de cordeiro" em campanha. Agora o lobo vai precisar mostrar a cara sem usar púlpito como escada política. Mas, “mode o quê?”

Mais do que isso, a Justiça Eleitoral precisa ficar atenta à desfaçatez dos incautos e também aos descarados. E sobretudo não deixar o fiel da balança pesar só para um lado. Aliás, o fiel não deve pesar para lado nenhum. Eleição, para ser democrática e justa, precisa obedecer um único crivo: o povo, o eleitor.

E é exatamente sua excelência, o “ileitor”, como o preconceituoso gosta de chamar, que desequilibra o jogo. Sim, no Brasil o “analfa” vota. E vota com poder de decidir eleição, derrubar favorito e fazer valer sua vontade. Aos postulantes cabe apenas respeitar o resultado da “inleição”, gostem ou não. Porque no fundo ela representa justamente isso: a vontade popular.

E a Carta Magna é claríssima sobre isso. O Artigo 1º, parágrafo único, da Constituição Federal de 1988 não deixa margem para dúvida: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Ou seja, a soberania popular não pertence a partido, igreja, pastor, padre, influencer ou comentarista de televisão. Pertence ao povo.

Foi exatamente dentro desse entendimento que o TSE analisou o caso ocorrido em Votorantim, no interior de São Paulo. Durante um culto na Igreja do Evangelho Quadrangular, lideranças religiosas declararam apoio explícito a candidatos, afirmaram que a igreja estava “fechada” com determinados nomes e até colocaram pré-candidatos no púlpito para discurso e oração diante dos fiéis.

E o problema não ficou só nisso. O Tribunal também analisou um reajuste de mais de 34% no aluguel pago pela prefeitura à igreja por um imóvel usado pela Escola de Música da cidade. Tudo isso em pleno ano eleitoral e sem justificativa técnica convincente. Resultado: o TSE manteve a cassação da prefeita Fabíola Alves da Silva, do vice Cesar Silva e do vereador Pastor Lilo por abuso político, econômico e uso indevido da estrutura religiosa.

A Corte deixou claro que mesmo sem pedido explícito de voto, o contexto demonstrava promoção eleitoral dentro do ambiente religioso. E é justamente aí que mora o limite. Ninguém está proibido de frequentar culto, missa ou evento religioso. O que não pode é transformar fé em ferramenta institucional de campanha.

Especialistas em direito eleitoral reforçam que a decisão apenas consolida um entendimento que já vinha sendo adotado pelo TSE e pelo STF. A liberdade religiosa continua garantida. O que não pode é misturar altar com comício.

E convenhamos: igreja é lugar de oração, não de curral eleitoral. Fé é instrumento de salvação espiritual, não de manipulação política. Quando uma instituição religiosa declara que está “fechada” com candidato A, B ou C, ela deixa de exercer apenas papel espiritual e passa a interferir diretamente no jogo político.

Por isso o alerta do TSE mira 2026. A tendência é de fiscalização mais rígida sobre cultos, eventos religiosos e manifestações institucionais de apoio político. O recado foi dado. Quem quiser disputar eleição vai precisar separar devoção de campanha.

Porque no fim das contas, numa democracia de verdade, quem decide não é púlpito, nem pastor, nem padre, nem influencer político de rede social. Quem decide é o povo. Sempre o povo.

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