
É impressionante como o presidente Lula parece caminhar na contramão da própria sociedade brasileira quando o assunto é segurança pública. Talvez esteja justamente aí a explicação para o fracasso da política de segurança do governo Lula 3. Um governo que fala muito sobre democracia, inclusão e direitos humanos, mas que parece incapaz de compreender o drama vivido diariamente pela população refém do narcotráfico, das facções e da violência urbana.
A fala de Lula demonstrando tristeza e decepção com a decisão do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas escancarou mais uma vez essa desconexão entre o Planalto e o cidadão comum.
Enquanto milhões de brasileiros vivem aterrorizados dentro das próprias cidades, o presidente da República se mostra emocionalmente abalado não pelas vítimas da violência, não pelas mais de 50 mil mortes anuais provocadas direta ou indiretamente pelo crime organizado, mas pela classificação internacional de duas das facções mais violentas do continente.
É inevitável perguntar: por quê?
O que exatamente incomoda tanto o governo brasileiro nessa classificação?
Porque, convenhamos, PCC e CV não são simples quadrilhas de bairro. São organizações que dominam territórios inteiros, expulsam moradores, executam rivais, impõem tribunais paralelos, controlam serviços clandestinos, lavam dinheiro internacionalmente e possuem ramificações em diversos países. Em muitos locais do Brasil, o Estado simplesmente desapareceu e quem manda são as facções.
No Rio de Janeiro, comunidades inteiras vivem sob regras impostas pelo tráfico. No Ceará e na Bahia, distritos inteiros já foram esvaziados por guerras entre facções. Em partes da Amazônia, o narcotráfico controla rotas, rios e fronteiras. Em São Paulo, o PCC se transformou numa potência transnacional do crime.
E mesmo diante disso tudo, Lula prefere atacar os Estados Unidos do que reconhecer a gravidade do problema.
O mais curioso é que a própria população brasileira parece enxergar a situação de forma muito diferente do presidente. Pesquisa Genial/Quaest revelou que cerca de 70% dos brasileiros concordam com a classificação de PCC e CV como grupos terroristas. Ou seja, a sociedade percebe que as facções já ultrapassaram há muito tempo a condição de mero crime organizado tradicional.
E por qual motivo essa classificação incomoda tanto?
Porque ela muda completamente o tratamento internacional dado às organizações criminosas. Uma facção classificada como terrorista passa a ser alvo prioritário de inteligência internacional, bloqueio financeiro global, cooperação militar, sanções econômicas e monitoramento ampliado. Pessoas, empresas e até agentes públicos que mantenham vínculos diretos ou indiretos com essas organizações podem sofrer consequências internacionais severas.
É justamente aí que mora o desconforto do governo Lula.
O discurso oficial tenta vender a narrativa da soberania nacional. Mas o problema parece muito mais profundo. O temor real não é diplomático. O temor é geopolítico, jurídico e financeiro.
Quando os Estados Unidos enquadram PCC e CV como organizações terroristas, eles elevam o nível do combate ao narcotráfico brasileiro a outro patamar. Isso amplia pressões internacionais, acordos de inteligência e monitoramento sobre movimentações suspeitas. E, inevitavelmente, expõe fragilidades institucionais do Brasil no enfrentamento às facções.
Lula afirmou estar “triste” com a medida americana. Mas o brasileiro comum talvez esteja triste há muito mais tempo. Triste por perder filhos para o tráfico. Triste por viver atrás de grades. Triste por ver o crime dominar bairros inteiros enquanto o Estado recua.
A pergunta que fica é simples: por que tanta preocupação em proteger a imagem das facções e tão pouca indignação diante do terror que elas espalham diariamente pelo Brasil?
No fim das contas, o que causa estranheza não é apenas a fala do presidente. É a recorrente sensação de complacência política, ideológica e até emocional de setores da esquerda com organizações criminosas que já desafiam abertamente o próprio Estado brasileiro.
É o presidente da República declarar para o mundo que, "o tráfico é vítima do usuário de drogas". Ou seja, Lula nunca está do lado do povo e parece está sempre do lado do crime.
E isso, sim, é extremamente perigoso.
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