
A discussão sobre o avanço do crime organizado brasileiro ultrapassou as fronteiras nacionais e entrou definitivamente no debate geopolítico internacional. E foi exatamente esse o pano de fundo das agendas distintas protagonizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Flávio Bolsonaro junto ao presidente americano Donald Trump.
Embora os dois campos políticos reconheçam o crescimento assustador das facções criminosas brasileiras, as visões sobre como enfrentar o problema são completamente antagônicas.
De um lado, o governo Lula evita classificar organizações como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. A justificativa oficial costuma ser jurídica e diplomática: o terrorismo, segundo a legislação internacional mais tradicional, estaria ligado a motivações ideológicas, religiosas ou políticas, enquanto as facções brasileiras teriam finalidade predominantemente econômica e ligada ao narcotráfico.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro defende exatamente o contrário. Durante encontro com Donald Trump, o senador afirmou que, caso chegue ao Palácio do Planalto, um de seus primeiros atos seria decretar PCC e CV como organizações terroristas. Para ele, as facções já ultrapassaram há muito tempo o conceito clássico de simples organizações criminosas.
E é justamente aí que nasce o debate central: afinal, PCC e CV são apenas facções criminosas ou já atuam como estruturas terroristas?
Para grande parte da população brasileira — e para setores ligados à segurança pública internacional — os elementos que aproximam essas organizações do terrorismo são cada vez mais evidentes.
As facções controlam territórios inteiros onde o Estado praticamente desapareceu. Em diversas comunidades, não é a Constituição que dita as regras, mas o tribunal do crime. Há locais em que policiais só entram em operações militares de alto risco. Em outros, sequer conseguem entrar.
Além disso, PCC e CV exercem domínio econômico e social sobre milhares de famílias. Controlam serviços clandestinos de internet, venda de gás, transporte alternativo e até a circulação de moradores. Em muitos casos, impõem toque de recolher, censuram comportamentos e aplicam punições violentas contra quem desobedece suas ordens.
Na prática, criam estruturas paralelas de poder.
Outro fator que fortalece o debate sobre terrorismo é a expansão internacional dessas organizações. O PCC, por exemplo, já possui ramificações em diversos países da América do Sul, além de investigações apontarem presença operacional ou financeira em regiões da Europa e conexões com o narcotráfico internacional. Autoridades americanas também monitoram movimentações ligadas ao crime organizado brasileiro em território dos Estados Unidos.
É justamente por isso que setores conservadores defendem cooperação internacional mais dura, envolvendo inteligência americana, monitoramento financeiro global, combate ao tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro.
Enquanto Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca defendendo endurecimento contra as facções, o assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, participava na Rússia de um fórum internacional de segurança ao lado do chanceler russo Sergey Lavrov. O contraste diplomático acabou ampliando ainda mais a disputa narrativa sobre segurança pública, soberania nacional e alinhamento geopolítico.
No fundo, o debate vai muito além da nomenclatura “terrorismo”. O que está em jogo é o reconhecimento de que o crime organizado brasileiro deixou de ser apenas um problema policial e passou a representar uma ameaça estrutural ao Estado, à economia, à democracia e à própria soberania nacional.
O Brasil vive hoje uma realidade em que facções possuem armamento pesado, controle territorial, influência política indireta, capacidade financeira bilionária e presença internacional. E isso explica por que a discussão sobre terrorismo deixou de ser apenas retórica política e passou a ocupar espaço no cenário diplomático mundial.
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