
Ciro Gomes decidiu entrar de vez na disputa pelo Governo do Ceará e deixa claro que não pretende tratar essa eleição como apenas mais uma campanha. Aos 68 anos, o pedetista, hoje no PSDB, garante que, se vencer a corrida pelo Palácio da Abolição, concluirá o mandato até o fim. Segundo ele, será “o último da vida pública”. Se será mesmo, só o tempo dirá. Mas uma coisa já ficou evidente: Ciro entrou na disputa para ganhar.
E entrou como quem conhece cada esquina do Ceará. Como um velho general que volta ao campo de batalha sabendo exatamente onde pisa. Ciro roda o Estado, conversa com prefeitos, lideranças, empresários, comerciantes e populares. Não quer campanha de gabinete, nem política de rede social feita no ar-condicionado. Quer corpo a corpo. Quer rua. Quer povo.
A movimentação tem chamado atenção até mesmo de adversários. Sua pré-campanha cresce justamente porque Ciro mantém aquilo que poucos políticos conseguem conservar depois de décadas de vida pública: presença popular e capacidade de comunicação direta.
Durante agenda em Sobral, seu berço político, Ciro afirmou que pretende encerrar sua trajetória pública com um eventual mandato no Executivo estadual.
Segundo ele, “minha intenção é encerrar minha vida pública com esse mandato”.
Mas fez uma ressalva típica de quem conhece a imprevisibilidade da política brasileira. Disse que não pode afirmar que jamais disputaria uma eleição presidencial novamente.
“Eu não posso dizer que desta água eu não beberei”, declarou.
Ainda assim, reforçou que não deseja continuar disputando eleições indefinidamente.
“Vou terminar o mandato com 74 anos. Tá bom, já chega”, afirmou.
O discurso em Sobral teve tom emocional. Ciro relembrou a derrota eleitoral de 2022 no próprio Ceará e admitiu que o resultado o abalou profundamente. Disse que chegou a pensar em deixar definitivamente a política, mas que decidiu voltar por sentir “um dever moral”.
Ao lado de aliados como Roberto Cláudio, Capitão Wagner e Alcides Fernandes, Ciro também voltou a bater forte na questão da segurança pública e no avanço das facções criminosas no Ceará.
A estratégia é clara. Enquanto o governador Elmano de Freitas tenta defender a gestão petista, Ciro procura se apresentar como experiência, firmeza e capacidade administrativa.
E faz isso sem esconder disposição. Tanto que aliados afirmam que ele não pretende diminuir o ritmo até o dia da votação. Pelo contrário. A ordem é intensificar agendas pelo interior, ampliar diálogo com prefeitos e consolidar alianças regionais.
A verdade é que Ciro parece movido por uma espécie de senso de missão. Como um político que acredita ter contas a acertar com a própria história. E talvez seja exatamente isso que torna sua candidatura tão competitiva neste momento.
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