
O Maranhão parece ter entrado numa estranha competição consigo mesmo: descobrir qual obra consegue ficar mais tempo parada sem explicação convincente. O problema é que, enquanto o concreto envelhece, os sonhos da população também racham junto com as paredes inacabadas. E em Caxias, um dos municípios mais importantes do estado, a paciência começou a desabar antes mesmo das estruturas.
A gestão do governador Carlos Brandão vem acumulando críticas em diversas regiões maranhenses, principalmente por causa do crescente número de obras interrompidas. O estado, aos poucos, vai ganhando aparência de um gigantesco canteiro abandonado. Tem placa de obra. Tem anúncio. Tem discurso. O que não tem é conclusão.
E quando até estudantes começam a comemorar o “aniversário” de uma reforma que nunca terminou, o problema deixa de ser administrativo e passa a virar símbolo político.
Foi exatamente isso que levou o presidente da Câmara Municipal de Caxias, vereador Ricardo Rodrigues, a fazer um duro protesto contra o governo estadual durante sessão legislativa nesta segunda-feira.
O parlamentar citou o caso da Escola Odolfo Medeiros, cuja reforma está parada há um ano. Um ano inteiro. Tempo suficiente para construir expectativas, destruir cronogramas e alimentar a revolta de alunos e familiares.
Ricardo relatou ter ficado profundamente incomodado ao assistir vídeos de estudantes protestando contra a paralisação da obra.
“Um ano de atraso para esses estudantes da Escola Odolfo Medeiros, que é tão conhecida e respeitada em nosso município. Então, pelo amor de Deus, não há justificativa para isso”, disparou.
E a indignação não parou aí.
O vereador relembrou outro episódio que virou símbolo do improviso e da pressa política: a inauguração da Escola Santos Dumont. Segundo ele, a obra passou longo período parada e, quando finalmente foi inaugurada, o cenário beirou o desastre.
A crítica foi pesada e carregada de indignação.
Segundo Ricardo Rodrigues, a inauguração ocorreu de forma apressada, sob pressão, e terminou marcada por um desabamento logo após a cerimônia.
“Só deu tempo de inaugurar”, afirmou o vereador, numa frase que resume perfeitamente o clima de improvisação que vem cercando parte das obras estaduais.
É como se algumas construções no Maranhão estivessem sendo tratadas como cenário de campanha. Importa mais cortar a fita do que garantir segurança, funcionalidade ou entrega definitiva à população.
Outro alvo das críticas foi a Avenida Pirajá, obra que, segundo o parlamentar, também parece esquecida pelo governo estadual. Ricardo afirmou já ter denunciado diversas vezes o abandono da intervenção, mas tudo indica que ela pode sequer ser concluída pela atual gestão.
E talvez seja exatamente esse o ponto mais preocupante para o governo Brandão.
O desgaste deixou de ser apenas oposição política. Agora começa a ganhar voz dentro das próprias cidades afetadas, por meio de vereadores, estudantes, moradores e lideranças locais.
Quando obras públicas param, não fica parado apenas o cimento. Fica parada a mobilidade, a educação, o comércio, a autoestima da população e até a confiança política de quem acreditou nas promessas.
No Maranhão atual, muitas obras parecem viver uma espécie de limbo administrativo. Não avançam, não terminam e também não recebem explicações convincentes. Viram monumentos silenciosos da lentidão estatal.
E enquanto isso, o estado vai acumulando esqueletos de concreto espalhados pelas cidades, como se cada estrutura inacabada fosse um lembrete permanente de promessas interrompidas.
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