
À medida que se torna evidente o distanciamento do presidente Lula da Silva em relação à candidatura do deputado Fábio Novo à Prefeitura de Teresina, o que deveria ser um apoio robusto se transforma em uma tentativa de contornar a situação através de vídeos e alianças com figuras pouca expressão no governo, pelo menos no Piauí. O ministro Alexandre Padilha, enviado à cidade, parece ter a missão de substituir Lula, mas isso levanta questionamentos profundos.
Por que Lula abandonaria a campanha de um candidato que, segundo o Partido dos Trabalhadores, estaria em condições de vencer, possivelmente até mesmo no primeiro turno? O governador Rafael Fonteles acredita na vitória de Novo, e o senador Marcelo Castro, do MDB, chegou a afirmar que a vitória do petista é "favas contadas", antecipando um triunfo já para 6 de outubro. Contudo, essa confiança é realmente justificada?
Se Lula estivesse seguro do sucesso da candidatura de Novo, seria ilógico para ele se afastar nesse momento crucial. A ausência do presidente sugere não apenas hesitação, mas um reconhecimento das dificuldades que a campanha enfrenta. O envio de um representante como Padilha pode ser interpretado de diversas formas — desde um sinal de apoio até uma tentativa de controlar danos.
Senão vejamos, pela lógica da própria esquerda, atrelar a campanha de Novo a Lula deveria, em teoria, trazer votos. Ao mesmo tempo, colar a candidatura de Sílvio Mendes ao ex-presidente Jair Bolsonaro poderia tirar votos do ex-prefeito. Mas a política, embora uma ciência, está longe de ser exata. No Nordeste, e especialmente em Teresina, a política é volátil e sujeita a inúmeros fatores. A capital é reconhecidamente conservadora, e candidatos da esquerda frequentemente amargaram resultados humilhantes nas eleições passadas. Exemplos como as tragédias eleitorais de Antonio Neto, Flora Isabel, Nazareno Fonteles e até mesmo do tetra governador José Wellington Barroso de Araújo Dias, que obteve apenas 59.470 votos, correspondentes a 14,18% do total, são contundentes.
Portanto, mesmo com toda a reengenharia de apoios e alianças políticas que variam de esquisitas a esdrúxulas, a candidatura de Fábio Novo não está assegurada a ponto de Lula simplesmente virar as costas. Muito pelo contrário, o desprezo do presidente pode ser a pá de cal nos sonhos da esquerda de conquistar o Palácio da Cidade. Segundo analistas políticos, é provável que Lula não queira desgastar ainda mais seu prestígio e sua imagem com uma derrota iminente do candidato do PT em Teresina. Nesse contexto, sua atitude é vista como prudente, especialmente após a divulgação das últimas pesquisas eleitorais.
Entretanto, como a urna eleitoral é uma caixinha de surpresas, o mais sensato é esperar até o encerramento da votação e a contagem dos votos no dia 6 de outubro. Até lá, apenas duas coisas são líquidas e certas: a eleição está polarizada, entre Novo e Mendes e ainda não será dessa vez que a professora Lourdes Melo ocupará a cadeira de prefeita da capital. A incerteza paira sobre a candidatura de Fábio Novo, e a saída de Lula pode ser um sinal claro das tempestades políticas que ainda estão por vir.
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