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Política SUCESSÃO NO MARANHÃO

Fogo amigo no PT do Maranhão escancara divisão interna com candidatura de Felipe Camarão

Declarações de dirigente petista revelam guerra interna, críticas ao grupo dinista e temor de isolamento político do PT maranhense

19/05/2026 às 09h11
Por: Douglas Ferreira
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Luiz Eduardo Braga - Foto: Reprodução
Luiz Eduardo Braga - Foto: Reprodução

O PT do Maranhão nunca foi exatamente um condomínio da paz. Sempre existiram alas, disputas silenciosas, brigas por espaço e correntes internas funcionando como pequenas repúblicas dentro do mesmo partido. Mas agora o que antes acontecia nos bastidores começou a vazar pelas janelas abertas da política maranhense.

A pré-candidatura de Felipe Camarão ao governo do Maranhão virou o fósforo jogado dentro de um depósito cheio de gasolina política.

As declarações do petista histórico Luiz Eduardo Braga escancararam um fogo amigo que já consumia lentamente o partido por dentro. E o mais simbólico é que o ataque não veio da oposição. Veio de dentro da própria trincheira petista.

Braga foi direto ao ponto ao afirmar que parte do PT estaria lançando uma candidatura cuja principal pauta seria “odiar Brandão”. A fala caiu como uma bomba no ambiente político do Maranhão porque atinge não apenas a estratégia eleitoral do partido, mas também a motivação real da candidatura.

Na leitura de setores governistas, o problema deixou de ser um debate programático e passou a ser uma disputa emocional e pessoal.

O alvo central seria o governador Carlos Brandão, que hoje mantém uma das administrações mais bem avaliadas do estado. Mas nos bastidores a leitura é ainda mais profunda.

A fala de Luiz Eduardo Braga foi interpretada como um recado indireto ao grupo ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.

O rompimento político entre Dino e Brandão virou uma espécie de terremoto silencioso no Maranhão. E, segundo aliados do próprio governo estadual, parte da crise teria sido alimentada por um núcleo reduzido de aliados dinistas inconformados com a perda de espaço político e institucional após a saída de Dino do Palácio dos Leões.

A situação lembra aquelas famílias que passam anos fingindo harmonia na ceia de Natal até que, de repente, alguém resolve puxar um assunto antigo na mesa. O desconforto que antes era sussurrado virou discussão em voz alta.

Luiz Eduardo Braga ainda classificou a candidatura petista como uma “aventura”. A crítica atinge diretamente a viabilidade eleitoral do projeto de Felipe Camarão e revela o medo interno de que o PT acabe sacrificando sua própria bancada estadual e federal em nome de uma candidatura sem musculatura consolidada.

O dirigente vai além e acusa setores do partido de apostar numa estratégia de “terra arrasada”. Ou seja, perder agora para tentar reorganizar forças depois.

Na prática, o que está acontecendo no Maranhão é um choque entre duas visões dentro do próprio PT.

De um lado, os que defendem alinhamento pragmático com o grupo de Brandão para preservar espaço político e eleitoral.

Do outro, setores que enxergam a candidatura própria como instrumento de enfrentamento político ao atual governador e também como tentativa de reconstrução do campo dinista dentro do estado.

A crítica feita por Braga ao discurso sobre “oligarquias” amplia ainda mais a contradição interna. Ao lembrar que o PT mantém alianças com grupos tradicionais em estados como Pará, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, ele praticamente acusa setores do partido de utilizarem no Maranhão um argumento que não aplicam no restante do país.

O episódio deixa evidente que o problema do PT maranhense não é apenas eleitoral. É identitário, estratégico e emocional.

E quando um partido começa a transformar divergência interna em guerra pública, o desgaste costuma ser parecido com ferrugem em estrutura metálica: começa pequeno, silencioso, mas pode comprometer toda a sustentação lá na frente.

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