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Política GUERRA DE NARRATIVAS

Medo da CPI do Banco Master expõe fragilidade do governo Lula

Caso Banco Master mistura patrocínio privado, dinheiro público, Lava Jato e recusa do governo em investigar o próprio escândalo

15/05/2026 às 04h00 Atualizada em 15/05/2026 às 13h57
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Bolsonaro e Lula da Silva - Foto: Reprodução/Edita por IA
Flávio Bolsonaro e Lula da Silva - Foto: Reprodução/Edita por IA

Essa polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Lula da Silva por conta do financiamento dos filmes Lula, o Filho do Brasil e Dark Horse já começou a feder faz tempo. É narrativa para todo lado, igual feira livre em dia de promoção. Cada grupo tenta vender sua versão como se fosse verdade absoluta, mas no meio dessa fumaça toda algumas diferenças continuam gritantes.

Flávio Bolsonaro reconhece que houve patrocínio de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. Diz que tudo ocorreu dentro de contrato privado, sem dinheiro público, sem participação estatal e que a conversa com o banqueiro era justamente para cobrar atraso nos pagamentos previstos no acordo. Segundo o senador, foi uma relação comercial entre empresa privada e produção privada. Algo que, no discurso dele, não teria ligação alguma com máquina pública.

Do outro lado, o homem forte da comunicação do governo Lula, Sidônio Palmeira, tentou negar o recebimento de patrocínio ligado a Vorcaro, mas acabou sendo desmentido. E aí o caldo engrossou ainda mais.

O senso comum olha para tudo isso e já solta aquele velho bordão: “é tudo farinha do mesmo saco”. Mas a situação não é tão simples assim. No caso do filme sobre Lula, a grande polêmica nasce justamente porque o longa foi patrocinado por empresas que mantinham contratos bilionários com o governo e que depois viraram personagens centrais da Lava Jato. Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS e JBS aparecem como financiadoras da película. Todas empresas envolvidas em denúncias, investigações e condenações por corrupção, lavagem de dinheiro e esquemas que sangraram os cofres públicos como um cano estourado em plena seca.

A comparação virou inevitável. De um lado, um filme privado financiado por uma empresa privada. Do outro, um filme sobre um presidente da República patrocinado por gigantes empresariais que orbitavam contratos públicos bilionários. É aí que mora o veneno dessa discussão.

Mas talvez o detalhe mais barulhento dessa guerra política nem seja o cinema. O ponto mais explosivo está na CPI do Caso Master. Flávio Bolsonaro assinou e defende a investigação. Já o governo Lula, o PT e seus aliados parecem fugir da CPI como gato corre de banho. Até agora, praticamente ninguém da base governista demonstrou entusiasmo em assinar o pedido.

E isso produz um desgaste político pesado. Porque quem bate no peito dizendo querer transparência normalmente não foge de investigação parlamentar. A recusa em apoiar uma CPI acaba alimentando suspeitas, narrativas e desconfianças. Na política brasileira, silêncio demais costuma fazer mais barulho do que discurso em palanque.

A oposição explora exatamente essa contradição. Argumenta que, se existe mesmo envolvimento de adversários políticos no escândalo, a CPI seria a oportunidade perfeita para expor tudo. Seria como abrir as portas de um porão escuro e acender todas as luzes. Mas o governo parece preferir manter a porta fechada.

E aí nasce a pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília como tambor em noite de tempestade: por que o governo Lula resiste tanto a CPIs envolvendo escândalos que atingem áreas próximas ao poder? Foi assim com a CPI do INSS. Agora ocorre o mesmo com o Banco Master.

A CPI vai sair? Difícil prever. O governo pode até ser minoria numérica em vários momentos, mas continua segurando a chave do cofre. E em Brasília, quando cargos, verbas e emendas começam a circular, muita convicção ideológica derrete mais rápido que picolé no asfalto quente do Nordeste.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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