
Mesmo fora do Congresso Nacional, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, voltou ao centro de uma investigação de grande repercussão. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Cunha após a Polícia Federal apontar indícios de que ele continuava influenciando a destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Segundo a investigação, Cunha teria indicado pelo menos 29 emendas parlamentares utilizando deputados aliados como autores formais das propostas, apesar de não possuir mandato eletivo. Para a Polícia Federal, havia um esquema estruturado para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações dos recursos.
As investigações apontam que a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", teria exercido papel central na operacionalização dessas emendas, ajustando municípios beneficiados e executando mudanças conforme orientações atribuídas ao ex-deputado.
Mensagens extraídas do celular da servidora mostram Eduardo Cunha discutindo diretamente a destinação de recursos para municípios mineiros, orientando alterações e solicitando documentos para justificar oficialmente as indicações.
Na decisão, Flávio Dino afirma que diálogos e planilhas compartilhadas pelos investigados indicam que Cunha teria atuado como verdadeiro coordenador do direcionamento de recursos públicos, mesmo sem qualquer autorização institucional para isso.
Para a Polícia Federal, o caso revela um grau elevado de influência política exercida por um agente privado sobre o orçamento federal. Os investigadores sustentam que Cunha possuía poderes equivalentes, ou até superiores, aos de parlamentares em exercício.
O relatório também afirma que houve sucessivas mudanças nos municípios contemplados pelas emendas conforme interesses políticos do ex-presidente da Câmara, hoje pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais.
Segundo a corporação, a atuação investigada teria provocado prejuízo superior a R$ 6,1 milhões aos cofres públicos e representaria mais um desdobramento das apurações envolvendo o chamado "orçamento secreto".
Até a publicação da reportagem, Eduardo Cunha não havia se manifestado sobre as acusações.
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