
A Justiça do Piauí decidiu manter a prisão preventiva de José Cleuton da Silva, investigado por gravar relações sexuais sem o consentimento das mulheres envolvidas e comercializar os vídeos em grupos fechados na plataforma Telegram. A decisão foi assinada no último dia 22 de junho pelo juiz da Central de Inquéritos de Teresina, Valdemir Ferreira Santos, que negou o pedido da defesa para revogar a prisão.
Para o magistrado, permanecem os fundamentos que justificam a medida cautelar, especialmente porque as investigações ainda estão em andamento e existe a possibilidade de surgirem novas vítimas. Com isso, José Cleuton continuará preso enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito.
O caso veio à tona após a deflagração da Operação Lente Oculta, conduzida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Segundo as investigações, o suspeito marcava encontros consensuais com mulheres, mas registrava as relações sexuais de forma clandestina utilizando câmeras escondidas em objetos adaptados, como pastas com pequenos orifícios estrategicamente posicionados para captar as imagens sem despertar qualquer suspeita.
Após as gravações, os vídeos eram, conforme a Polícia Civil, colocados à venda em grupos fechados no Telegram por valores que variavam entre R$ 75 e R$ 100. Os investigadores afirmam ainda que José Cleuton utilizava ferramentas tecnológicas e até bots para ampliar a divulgação do conteúdo e alcançar um número maior de compradores.
Até o momento, pelo menos sete mulheres procuraram o DRCC depois de descobrirem que suas imagens íntimas circulavam pela internet e haviam sido compartilhadas em diferentes estados brasileiros. A Polícia Civil acredita, no entanto, que esse número possa aumentar à medida que as investigações avancem.
Outro aspecto que elevou a gravidade do caso foi a identificação, durante a perícia do material apreendido, de indícios de que algumas gravações poderiam conter imagens envolvendo menores de idade. Diante dessa suspeita, os investigadores ampliaram o alcance das apurações para verificar possíveis crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A Polícia Civil também informou que conseguiu, junto à plataforma Telegram, remover os vídeos já identificados e solicitou medidas para impedir novas publicações envolvendo as vítimas.
Embora as investigações apontem que o investigado lucrava com a venda dos vídeos, ainda não foi divulgado quanto ele teria faturado com o esquema. Também não há informações oficiais sobre profissão ou emprego formal de José Cleuton.
As vítimas tiveram relações sexuais consensuais com o investigado, mas, segundo a polícia, nunca autorizaram a gravação nem a divulgação das imagens. Suas identidades permanecem sob sigilo para preservar a intimidade e evitar nova exposição.
A defesa de José Cleuton pediu a revogação da prisão preventiva, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça. Até o momento, os advogados não apresentaram manifestação pública detalhada sobre o mérito das acusações.
Com a decisão judicial, a investigação segue em andamento para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer toda a extensão do esquema e reunir novas provas que poderão embasar uma futura denúncia do Ministério Público.
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