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Kakay: “Ciro Nogueira nunca recebeu mesada de Vorcaro”

Advogado afirma que senador jamais recebeu “mesada” do dono do Banco Master e diz que não existe acusação formal nem movimentação financeira ligada diretamente a Ciro.

08/05/2026 às 08h19 Atualizada em 08/05/2026 às 13h43
Por: Redação GH1
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Advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay - Foto: Reprodução
Advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay - Foto: Reprodução

A entrevista do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, à BandNews funcionou como uma tentativa clara de apagar o incêndio antes que ele consumisse completamente o ambiente político em torno do senador Ciro Nogueira. Em Brasília, uma suspeita mal explicada costuma se espalhar mais rápido do que fumaça em capim seco. E foi justamente isso que Kakay tentou conter.

A principal mensagem do advogado foi direta. Segundo ele, uma coisa é a amizade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Outra completamente diferente seria a existência de pagamentos ilegais ou qualquer tipo de “mesada” ao senador.

Kakay insistiu que não há acusação formal contra Ciro nesse sentido. Nem denúncia. Nem prova. Nem transferência bancária. Nem registro financeiro que sustente a narrativa que passou a circular nos bastidores políticos e nas redes sociais.

A fala do advogado tenta separar o joio do trigo. Em tempos de delações explosivas e investigações de alto impacto, basta alguém aparecer perto da fumaça para já ser tratado como culpado pelo incêndio inteiro. Kakay tentou justamente impedir que amizade política fosse confundida com participação em irregularidades.

Segundo ele, existia apenas uma empresa ligada ao entorno de Ciro que mantinha negócios com empresas relacionadas a Vorcaro. Mas o senador, de acordo com a defesa, não era dono da empresa nem participava diretamente da gestão.

O ponto mais explorado por Kakay foi justamente a quebra do sigilo bancário de Ciro Nogueira. O advogado deixou claro que, segundo a investigação, não apareceu qualquer transferência financeira para o senador.

A comparação é inevitável. Em uma investigação financeira, quebrar o sigilo bancário é como abrir o cofre inteiro de alguém e acender todas as luzes do quarto ao mesmo tempo. Se existisse pagamento, depósitos periódicos ou qualquer “mesada”, a tendência natural seria encontrar rastros. Segundo Kakay, esses rastros simplesmente não existem.

Por isso, o advogado classificou a narrativa como nebulosa. A expressão não foi usada por acaso. Em Brasília, muitas vezes a suspeita nasce primeiro e os fatos chegam depois. O problema é que, até lá, a reputação já entrou no triturador político.

A defesa tenta construir justamente essa linha. O fato de existir relação social, política ou empresarial indireta entre pessoas investigadas não significa automaticamente recebimento de dinheiro ilícito. Se fosse assim, Brasília inteira viraria cena permanente de investigação coletiva, porque o poder funciona justamente através de relações, encontros e conexões.

Kakay também sinalizou que pretende investigar melhor, no Piauí, quais eram exatamente os negócios existentes entre a empresa mencionada e o grupo ligado a Vorcaro. Mas reforçou que, até aqui, não há elemento concreto que coloque dinheiro nas mãos de Ciro Nogueira.

Num momento em que a delação de Daniel Vorcaro ameaça atingir figuras influentes da República, a estratégia da defesa parece clara. Separar proximidade pessoal de responsabilidade criminal. Separar convivência política de acusação formal. E impedir que o nome de Ciro seja jogado prematuramente no mesmo redemoinho que hoje assusta Brasília.

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