
O negacionismo parece estar no DNA da esquerda e na veia do presidente Lula. Diz o ditado popular que, “o pior cego é aquele que vê, mas não enxerga”. E o presidente pensa e age como tal. Não bastasse a humilhação sofrida no Senado, com a derrota fragorosa de seu indicado, Jorge Messias, para o Supremo, dormiu, sonhou e acordou com o devaneio de reapresentar o nome de “Bessias”.
Para o presidente, não há motivo para a rejeição. Ora, motivos não faltaram e foram “dibuiados” na sabatina. Mas o ponto central parece outro. A rejeição não foi apenas ao nome. Foi ao próprio governo. E ignorar isso é como insistir em empurrar uma porta que já foi trancada por dentro.
Lula vive numa redoma. Acredita que o país está “surfando em céu de brigadeiro”, que a inflação está controlada, que o endividamento é culpa de “tigrinho”, que o usuário é vítima do traficante, que o agro é fascista e que o problema está na cegueira, surdez e afonia dos senadores. Não senhor presidente. Já passou da hora de uma autocrítica.
A política não é feita de vontade pura. É “a arte do possível”, como ensinou Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro. Indicar é prerrogativa presidencial, está na Constituição. Mas aprovar depende de ambiente, articulação e, principalmente, leitura de cenário.
Nos bastidores, a conta é simples. Nem agora, nem tão cedo, o nome de Messias deve passar. Pelo menos se depender da maioria do Senado e, sobretudo, do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. É o que eles verbalizam. É o que deixam claro.
Ainda assim, tudo é possível. Afinal, desde o Mensalão, o Congresso virou, para muitos, um “balcão de negócios”. Só que desta vez, o jogo não virou com o mesmo roteiro. O empenho de cerca de R$ 12 bilhões às vésperas da votação não empolgou. Não convenceu. Não fisgou.
O Senado mandou um recado. E recado, em política, não vem em envelope lacrado. Vem em voto aberto. A Casa parece respirar novos ares. Senadores que antes temiam, agora enfrentam. Alguns conquistaram, como se diz, sua “carta de alforria”.
Nos corredores, há ainda quem fale em “dedinho de toga” no movimento. Verdade ou não, o fato é que o tabuleiro mudou. E, nesse jogo, até o silêncio fala. Lula, por ora, evita retaliações. Observa. Calcula. Espera o “timing”.
Mas a insistência tem preço. Perder uma vez é do jogo. Perder duas acende alerta. Perder três pode virar trilha sonora. Daquelas de pedir música no Fantástico.
No fim, a lição é simples. Política não é teimosia. É leitura. Quem não entende o recado corre o risco de falar sozinho enquanto o placar segue correndo contra.
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