
No cenário internacional, durante um evento em Nova York, o presidente do Chile, Gabriel Boric, trouxe à tona um debate que ecoa fortemente na América Latina: a postura dos governos progressistas frente a regimes autoritários. Embora socialista, Boric tem se destacado por sua posição firme contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro, uma atitude que contrasta com o apoio diplomático oferecido pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o encontro promovido por Lula, intitulado "Em Defesa da Democracia. Combatendo o Extremismo", que tinha como objetivo reforçar a imagem do petista como um defensor da democracia global, Boric questionou a incoerência dos progressistas em tolerar regimes que violam direitos humanos. Em sua fala, ele foi direto: “As violações dos direitos humanos não podem ser julgadas conforme a cor do ditador de turno.”
O comentário de Boric foi uma espécie de "pedra no sapato" para Lula, que, apesar de se apresentar como um paladino da democracia, tem mantido uma relação diplomática amistosa com Maduro. Para Boric, essa "venezuelização" da política interna de países como o Brasil enfraquece os movimentos progressistas, que deveriam defender os direitos humanos de forma consistente, independentemente das inclinações ideológicas dos líderes em questão.
Enquanto Lula buscava promover sua liderança como exemplo para a defesa democrática, Boric trouxe à luz um debate necessário sobre as contradições dentro dos blocos progressistas da América Latina, demonstrando que o verdadeiro compromisso com a democracia vai além de conveniências políticas.
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