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Política VIRADA POLÍTICA

RS vira o jogo? Flávio Bolsonaro dispara e impõe larga vantagem sobre Lula

Pesquisa revela diferença de mais de 14 pontos no Rio Grande do Sul, expõe mudança no humor do eleitor e levanta dúvidas sobre o impacto das enchentes na avaliação do governo federal

23/04/2026 às 04h06
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Bolsonaro vira o jogo no RS - Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro vira o jogo no RS - Foto: Reprodução

Rio Grande do Sul: os números que falam - e o que eles escondem

Os dados são claros, diretos e, para muitos, surpreendentes.

Um levantamento do instituto Brasmarket mostra Flávio Bolsonaro com 42,2% das intenções de voto no Rio Grande do Sul, contra 28,2% de Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença passa dos 14 pontos percentuais.

Na sequência aparecem nomes bem distantes: Romeu Zema com 4,6%, Renan Santos com 0,4% e Ronaldo Caiado com 0,3%.

Mas há um dado que merece atenção especial: 16% não sabem ou não responderam, e 8,3% votariam branco ou nulo.

Ou seja, quase um quarto do eleitorado ainda está fora da disputa direta.

A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre os dias 17 e 21 de abril, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A virada de um estado “carimbado”

Durante muito tempo, o Rio Grande do Sul foi visto como um Estado com forte identidade política ligada à esquerda. Berço de lideranças, palco de debates históricos, ambiente fértil para discursos progressistas.

Mas os números atuais sugerem outra coisa. Uma vantagem desse tamanho não aparece por acaso. Não é ruído estatístico. É sinal.

E sinal de mudança.

O que explica esse cenário?

A resposta não é simples, mas passa por alguns pontos inevitáveis.

Primeiro, desgaste. Todo governo carrega desgaste, mais cedo ou mais tarde. Isso é da natureza da política.

Segundo, percepção. O eleitor não vota apenas em números ou promessas, vota na sensação de entrega, de presença, de resposta.

E aí entra um fator recente impossível de ignorar: as enchentes que devastaram o Estado.

A conta das enchentes chegou?

Em momentos de crise, a régua muda. O eleitor deixa de lado ideologia e passa a avaliar ação concreta. Quem apareceu? Quem resolveu? Quem demorou?

A forma como o governo federal, sob comando de Lula, foi percebido durante esse episódio pode ter deixado marcas. Mesmo que as ações tenham ocorrido, o que pesa é a percepção do cidadão comum.

E percepção, em política, vira voto.

Muito além da liderança

O mais relevante não é apenas quem está na frente. É onde isso está acontecendo.

Uma diferença larga em um Estado que já teve outro comportamento político levanta uma hipótese incômoda: estamos diante de uma mudança estrutural? Ou seria uma reação momentânea a erros recentes?

O eleitor silencioso

Há ainda um elemento decisivo: os indecisos. Sim. Com 16% que não sabem e mais 8,3% de branco ou nulo, existe um contingente enorme que pode redefinir o cenário. Eles são, na prática, o fiel da balança.

No fim, a provocação permanece

O Rio Grande do Sul está mudando de lado… ou apenas respondendo ao que viu e viveu recentemente?

Porque, em política, a lógica é simples: quando a confiança balança, o voto também muda.

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