
Cada vez mais brasileiros estão cruzando a fronteira em busca de uma vida mais estável no Paraguai. Um exemplo é o de uma engenheira que ganhava cerca de R$ 22 mil por mês no Brasil, mas decidiu recomeçar no país vizinho após perceber que boa parte da renda era consumida por impostos. Hoje, ela investe em moradia e tenta se estabelecer profissionalmente por lá.
Esse movimento não é isolado. Mais de 263 mil brasileiros vivem atualmente no Paraguai, formando uma das maiores comunidades do país. Só em 2025, mais de 17 mil conseguiram residência. Os números mostram uma migração em alta, ainda que especialistas alertem que o total real pode ser maior, já que nem todos fazem registro oficial nos consulados.
O principal atrativo é econômico. A carga tributária no Paraguai varia entre 10% e 14% do PIB, enquanto no Brasil chega a cerca de 33%. Isso impacta diretamente no custo de vida. Energia elétrica pode ser até 60% mais barata, e produtos como carros chegam a custar metade do preço. Na prática, muitos relatam que conseguem “fechar as contas” com mais facilidade fora do Brasil.
Mas não é só o dinheiro que pesa na decisão. Muitos brasileiros também citam desconfiança no cenário político e preocupação com o futuro do país como fatores importantes. Além disso, há uma busca por mais segurança e oportunidades. Empresas que ajudam na regularização de imigrantes relatam aumento na procura, tanto de empresários quanto de trabalhadores em busca de emprego.
Apesar das vantagens, a mudança exige adaptação. As leis trabalhistas são diferentes, com jornadas maiores e menos benefícios em comparação ao Brasil. Férias são mais curtas e alguns direitos comuns não são garantidos. Ainda assim, muitos brasileiros afirmam que a experiência compensa, principalmente pela sensação de maior equilíbrio financeiro e novas oportunidades profissionais.
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