
Pior do que enfrentar a crise climática e os milhares de focos de incêndio que consomem o país é a demora em admitir que faltou um plano de ação eficiente. Somente agora, após meses de destruição, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, veio a público reconhecer que a estratégia do governo falhou. Tanto ela quanto o presidente Lula, até recentemente, limitaram-se a apontar "agentes externos", classificando os incêndios como criminosos e desviando o foco da ausência de medidas robustas.
Marina Silva admitiu, em entrevista, que a estratégia governamental para enfrentar o período de estiagem e queimadas "não foi suficiente", embora o alerta sobre a seca extrema, especialmente na Amazônia e no Pantanal, estivesse claro há meses. O reconhecimento tardio, no entanto, não diminui o impacto devastador que as chamas já causaram, destruindo ecossistemas inteiros e gerando perdas irreparáveis à fauna e à flora.
A ministra, em uma espécie de mea-culpa, declarou que é preciso ter "clareza e responsabilidade" para não mascarar a realidade. No entanto, admitir o erro é apenas o primeiro passo. Mais do que reconhecer que faltou um plano de ação eficiente, o governo precisa urgentemente apresentar uma resposta concreta e imediata para a situação. O discurso de que o Brasil é vítima das mudanças climáticas, embora verdadeiro em parte, não pode ser usado como justificativa para a falta de preparo e ação.
Marina Silva argumentou que o país enfrenta a maior seca em décadas, com o Pantanal e a Amazônia sofrendo os piores índices em 73 e 40 anos, respectivamente. Embora o fenômeno não tenha sido causado pelo Brasil, a responsabilidade de lidar com as consequências recai sobre o governo. Reconhecer que o desmatamento foi reduzido é importante, mas de nada adianta se o combate às queimadas é insuficiente.
Em agosto de 2023, quase metade dos incêndios florestais do ano foi registrada, com 5,65 milhões de hectares queimados – uma área comparável ao Estado da Paraíba. Esses números só reforçam a necessidade de uma política ambiental mais estruturada. Não basta criticar o negacionismo climático do governo anterior; é preciso provar, com ações concretas, que o atual governo está preparado para enfrentar os desafios ambientais que se agravam a cada dia.
A mea-culpa de Marina Silva chegou tarde, e agora, mais do que nunca, o Brasil precisa de um plano eficiente, com recursos e equipes adequadas para combater as queimadas e mitigar seus impactos. A retórica precisa dar lugar à prática, antes que o prejuízo ao meio ambiente e à imagem internacional do país se torne irreversível.
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