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A guerra do volume: quando a música passou a gritar

Entenda por que canções ficaram mais altas e piores ao longo dos anos

07/02/2026 às 10h50 Atualizada em 07/02/2026 às 11h00
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gerada por inteligência artificial
Imagem gerada por inteligência artificial

Durante décadas, a indústria musical entrou em uma disputa silenciosa, mas barulhenta, para ver quem soava mais alto. Esse fenômeno ficou conhecido como loudness war, ou “guerra do volume”, uma prática em que músicas são masterizadas cada vez mais altas para chamar atenção no rádio, nos CDs e, depois, nas plataformas digitais. O problema é que, ao aumentar demais o volume médio das faixas, produtores passaram a sacrificar a qualidade do som e a dinâmica natural da música.

A origem dessa corrida não é recente. Ela começou ainda no tempo dos discos de vinil e dos jukeboxes, quando gravações mais altas se destacavam em bares e rádios. Mas o cenário mudou de vez com a chegada do CD e das ferramentas digitais nos anos 1990. Técnicas como compressão extrema e limitadores passaram a “achatar” o som, deixando tudo alto o tempo inteiro. O resultado foi música sem respiro, com distorções e menos emoção, algo que gerou críticas de engenheiros de áudio, músicos e fãs.

Imagem que ilustra a faixa de música, cada vez mais "estourada" - Imagem: Reprodução

O debate ganhou força nos anos 2000, especialmente após lançamentos muito populares serem acusados de exagero no volume. Casos famosos mostraram que versões alternativas, menos comprimidas, soavam melhor e eram mais agradáveis de ouvir. Estudos e profissionais do setor reforçaram a ideia de que música mais dinâmica não vende menos, pelo contrário, costuma ser preferida pelo público. A partir daí, movimentos dentro da indústria começaram a questionar a lógica do “quanto mais alto, melhor”.

Nos últimos anos, a própria tecnologia ajudou a esfriar essa guerra. Plataformas de streaming como Spotify, Apple Music e YouTube passaram a normalizar o volume das músicas, igualando os níveis automaticamente. Com isso, faixas exageradamente altas não ganham mais vantagem. A tendência atual é valorizar novamente a dinâmica e a qualidade sonora. Aos poucos, a indústria parece entender uma lição simples: quando tudo é alto o tempo todo, nada se destaca e a música perde sua força.

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