
Durante décadas, a indústria musical entrou em uma disputa silenciosa, mas barulhenta, para ver quem soava mais alto. Esse fenômeno ficou conhecido como loudness war, ou “guerra do volume”, uma prática em que músicas são masterizadas cada vez mais altas para chamar atenção no rádio, nos CDs e, depois, nas plataformas digitais. O problema é que, ao aumentar demais o volume médio das faixas, produtores passaram a sacrificar a qualidade do som e a dinâmica natural da música.
A origem dessa corrida não é recente. Ela começou ainda no tempo dos discos de vinil e dos jukeboxes, quando gravações mais altas se destacavam em bares e rádios. Mas o cenário mudou de vez com a chegada do CD e das ferramentas digitais nos anos 1990. Técnicas como compressão extrema e limitadores passaram a “achatar” o som, deixando tudo alto o tempo inteiro. O resultado foi música sem respiro, com distorções e menos emoção, algo que gerou críticas de engenheiros de áudio, músicos e fãs.
O debate ganhou força nos anos 2000, especialmente após lançamentos muito populares serem acusados de exagero no volume. Casos famosos mostraram que versões alternativas, menos comprimidas, soavam melhor e eram mais agradáveis de ouvir. Estudos e profissionais do setor reforçaram a ideia de que música mais dinâmica não vende menos, pelo contrário, costuma ser preferida pelo público. A partir daí, movimentos dentro da indústria começaram a questionar a lógica do “quanto mais alto, melhor”.
Nos últimos anos, a própria tecnologia ajudou a esfriar essa guerra. Plataformas de streaming como Spotify, Apple Music e YouTube passaram a normalizar o volume das músicas, igualando os níveis automaticamente. Com isso, faixas exageradamente altas não ganham mais vantagem. A tendência atual é valorizar novamente a dinâmica e a qualidade sonora. Aos poucos, a indústria parece entender uma lição simples: quando tudo é alto o tempo todo, nada se destaca e a música perde sua força.
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