
A volta da circulação de malas e caixas de dinheiro no cenário político brasileiro, que parecia uma prática relegada ao passado, ressurge de maneira alarmante nos últimos dois anos. Após episódios icônicos como o do ex-ministro da petista Dilma Rousseff, o baiano Geddel Vieira Lima, encontrado com R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador, e o assessor do deputado federal José Guimarães, pego com 100 mil dólares na cueca, essa prática repugnante voltou a ser vista com tanta frequência que quase parece normalizada.
Um dos casos mais recentes envolve Renildo Lima, marido da deputada federal Helena da Asatur (MDB/RR), preso esta semana com dinheiro escondido em sua cueca. Renildo já era alvo de desconfiança por suas operações suspeitas em Brasília, especialmente seus contratos com o Ministério dos Povos Indígenas, que levantaram questionamentos no início deste ano. O deputado Marcos Pollon (PL/MS) expôs a situação ao revelar que a Voare Táxi Aéreo, empresa de Renildo, recebeu impressionantes R$ 24,8 milhões somente em 2023.
Dinheiro sem controle
O contrato mais polêmico, de R$ 17,7 milhões, foi firmado sem licitação, sob a justificativa de ser "emergencial" para atender as comunidades Yanomamis. No entanto, as justificativas levantam dúvidas, já que, mesmo com esse montante vertiginoso, as mortes entre os Yanomamis não pararam de aumentar. De 343 óbitos em 2022, sem os contratos milionários, o número subiu para 363 em 2023, apesar dos investimentos pesados do goverrno. Essa discrepância levanta a questão: onde realmente foi parar todo esse dinheiro?
Renildo Lima, preso com dinheiro na cueca - Foto: Política Macuxi
A volta do fluxo de dinheiro vivo
Renildo Lima é apenas a face mais recente de um fenômeno que tem se espalhado pelo Brasil. Em vários Estados, operações policiais têm apreendido malas, sacolas e caixas abarrotadas de dinheiro, quase sempre ligado a políticos ou fontes de origem desconhecida, como é o caso de R$ 1,5 milhões apreendidos nesta quinta-feira, 12, em Teresina/PI. O fluxo de dinheiro em espécie, que parecia estar diminuindo, voltou a circular de maneira preocupante nos bastidores da política brasileira, e o que mais impressiona é o valor envolvido. São somas altíssimas, que muitas vezes ultrapassam milhões, transacionadas de forma clandestina, longe dos olhares da Justiça e da opinião pública.
Um alerta que não pode ser ignorado
Esse retorno das malas de dinheiro sinaliza um retrocesso alarmante. O Brasil, que já passou por escândalos de corrupção que sacudiram o país e impulsionaram investigações como a Operação Lava Jato, agora parece se render à normalização de práticas ilícitas nos corredores do poder. A questão que fica é: até quando esse ciclo de impunidade continuará girando? E o que será necessário para finalmente romper essa cadeia de corrupção enraizada no sistema político nacional?
A volta da circulação massiva de dinheiro vivo em malas e cuecas é um sinal claro de que, apesar das conquistas no combate à corrupção, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar uma verdadeira transparência. Enquanto isso, as malas cheias de dinheiro continuam a circular pelos corredores do poder, aeroportos e estacionamento de shoppings pelo Brasil afora, manchando a imagem da democracia brasileira.
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