
O Ibovespa encerrou na última quinta-feira em alta de 0,59%, aos 162,9 mil pontos, mesmo em um pregão marcado por fortes oscilações. O clima geral foi de alívio após correções recentes, com queda do índice de volatilidade, mas a sessão ficou dominada por um único fato: o tombo das ações da Azul, que despencaram mais de 70% e, em alguns papéis, passaram de 90% de queda.
Diferente do que costuma ocorrer em grandes quedas, o recuo da Azul não está ligado a crise operacional ou escândalo. O movimento é consequência direta do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. A empresa converteu parte de suas dívidas em ações, emitindo centenas de bilhões de novos papéis. Com isso, os credores viram acionistas, o endividamento cai, mas o preço de cada ação despenca por causa da diluição.
Enquanto a Azul afundava, o mercado mostrou que segue separando joio do trigo. A Embraer subiu quase 1%, sustentada por fundamentos mais sólidos e exposição positiva ao cenário global. A alta do petróleo no exterior também ajudou o índice, impulsionando ações da Petrobras e do setor financeiro, que se recuperaram das perdas da véspera. Já a Vale pesou negativamente, pressionada pela queda do minério de ferro na China.
No câmbio, o dólar fechou praticamente estável, a R$ 5,38, refletindo cautela antes da divulgação do IPCA no Brasil e do relatório de emprego dos Estados Unidos. Analistas avaliam que, apesar do choque com a Azul, a volatilidade ficou concentrada em ativos específicos. O recado do mercado foi claro: empresas muito endividadas seguem no radar do risco, enquanto companhias com caixa, previsibilidade e modelo de negócio mais sólido continuam sendo o porto seguro do investidor.
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