
A Spirit Airlines, conhecida por suas tarifas extremamente baixas e aviões amarelos, encerrou oficialmente suas operações no último sábado 2, após realizar seu último voo entre Detroit e Dallas. A companhia, que chegou a valer cerca de 5,5 bilhões de dólares, foi durante décadas símbolo de um novo modelo no transporte aéreo, baseado em preços reduzidos e cobrança por serviços extras. O anúncio do fechamento marca o fim de uma das empresas mais influentes do setor nos Estados Unidos.
Em comunicado, o CEO Dave Davis destacou o papel da empresa em democratizar o acesso às viagens aéreas. A trajetória da Spirit, no entanto, já vinha sendo pressionada por sucessivas crises. Nos últimos dois anos, a companhia entrou duas vezes em recuperação judicial e tentou cortar custos de forma agressiva, reduzindo rotas e renegociando contratos. Ainda assim, não conseguiu reverter o cenário financeiro negativo.
O golpe final veio de fora. A disparada no preço do combustível de aviação, impulsionada pela escalada de tensões envolvendo o Irã, acelerou o colapso da empresa. Com custos operacionais em alta e uma dívida acumulada desde a pandemia, a Spirit viu seu caixa encolher rapidamente. Desde 2020, os prejuízos já ultrapassavam 2,5 bilhões de dólares, tornando a operação insustentável.
Apesar do fim, o legado da companhia permanece. A Spirit popularizou o modelo de tarifas desagregadas, no qual o passageiro paga apenas pelo básico e escolhe quais serviços adicionais deseja contratar. A estratégia foi amplamente criticada, mas acabou sendo copiada por grandes empresas aéreas ao redor do mundo. No último dia de operação, mais de 50 mil passageiros ainda voaram pela companhia, enquanto cerca de 17 mil funcionários foram surpreendidos com o encerramento das atividades, muitos deles após décadas de trabalho.
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